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Edição de Quinta-Feira, 25 de Novembro de 2004 
Economia | Tesouro eleva cotação de dólar comprando US$ 3 bi
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ECONOMIA
Tesouro eleva cotação de dólar comprando US$ 3 bi
Risco-país tem queda e vai a 416 pontos, nível registrado em janeiro
BRASÍLIA - Dez meses depois de anunciar uma nova política de compra de dólares no mercado para pagar dívida externa alegando, com isso, mais transparência, o Banco Central voltou atrás e oficializou que o Tesouro Nacional irá adquirir diretamente do mercado US$ 2,998 bilhões. O dinheiro será usado para honrar compromissos externos que vencerão entre dezembro deste ano e junho de 2005. O anúncio feito ontem pelo BC ajudou a elevar a cotação da moeda norte-americana e levantou suspeitas de que o Governo poderia estar intervindo no valor do dólar, que nos últimos dias tem caído fortemente.

  O diretor de Política Econômica do BC, Afonso Beviláqua, disse que a mudança não significa que o Governo estará intervindo em favor de um patamar específico de câmbio. "O que estamos anunciando é um processo de médio prazo sem a preocupação com determinado nível de taxa de câmbio", afirmou. Segundo ele, ao adquirir diretamente do mercado os dólares, o Tesouro não precisará utilizar dinheiro das reservas internacionais do País. Além disso, de acordo com o diretor, o BC mantém a intenção de recompor o nível das reservas. "Voltaremos a mercado assim que considerarmos oportuno", disse. Nesse caso, o BC fará diretamente as compras de dólares cumprindo a regra de comunicar oficialmente a sua atuação.

  Apesar do alarde, especialistas do mercado reconheceram que a possível interferência do Tesouro no dólar será pequena. Isso porque ele já vinha efetuando sem ninguém saber essas compras e não houve pressão na cotação. Com isso, avaliam especialistas, é bem provável que o Governo continue se beneficiando do impacto positivo que o menor valor do dólar frente ao real tem sobre os índices de preços.

Risco-país - O anúncio do Banco Central de que o Tesouro Nacional já está presente no mercado para obter os dólares necessários para honrar a dívida externa acabou beneficiando as empresas exportadoras na Bolsa de Valores de São Paulo e fez o risco-país cair 2,12%, para 416 pontos, a cotação mais baixa desde 12 de janeiro (397). Os contratos mais longos de juros futuros projetaram queda, enquanto o C-Bond ganhou 0,56%, vendido com ágio de 0,875%.

  Em meio à discussão mundial sobre os desequilíbrios da cotação do dólar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as exportações brasileiras podem ser prejudicadas pela desvalorização da moeda americana. Segundo Lula, o valor ideal para o dólar seria entre R$ 2,90 e R$ 3,10. No ano, o dólar já se desvalorizou 5,07%. Neste mês, caiu 3,64%.

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