Conceito de aprendizagem é transformado pelas novas tecnologias e popularização da internet, que começa a ser usada como ferramenta de estudo no ensino médio
O que você pensaria sobre um aluno que vai pra aula e não copia uma única palavra ou exercício que o professor escreve no quadro? Pior que isso: Nem caderno esse aluno leva para a sala de aula. O nosso (pré) conceito possivelmente nos levaria a taxar esse estudante de "desinteressado", "relapso", que "não quer nada com a vida". E tem mais: Depois da aula, quando ele chega em casa, a primeira coisa que faz é ligar o computador e se conectar à internet, onde ficará por horas. Definitivamente esse não é o comportamento que a maioria das pessoas imagina de um bom aluno. Mas, talvez, seja melhor não se prender a primeira impressão.
Isso porque as novas tecnologias - e claro, a enorme popularização da internet, principalmente entre os jovens - transforma, a cada dia, o conceito de educação e aprendizagem. Utilizar todo o moderno arsenal da tecnologia da informação para facilitar, acrescentar e, sobretudo, democratizar o processo de educação, aproximando professor e aluno parece ser - de uma vez por todas - a essência que os educadores encontraram na internet, indiscutivelmente consagrada na área do entretenimento.
 Wendel Santos montou aula hi-tech com projetores, notebooks e lousa digital para os alunos de um cursinho pré-vestibular. Foto: Ricardo Fernandes. | Agora, o importante é ressaltar que não estamos falando de algo para o futuro. O perfil do aluno descrito no início da matéria existe. Ele pode ser, por exemplo, qualquer um dos 700 que fazem o curso pré-vestibular de física do professor Wendel Santos, que revolucionou sua sala há seis meses, assumindo integralmente o conceito de educação, tecnologia e comunicação virtual. A sala é inteiramente hi-tech, com notebooks, projetores, câmeras e uma lousa digital com touchscream (a tela é sensível ao toque), que permite ao professor utilizar todos os recursos de um computador de última geração. Toda a aula é gravada em imagem e som. "Aqui, caderno, giz, piloto, quadro negro e lousa não existem mais. Ninguém copia nada", explica o professor que afirma ser o único do País a trabalhar todas essas tecnologias.
O processo se completa com a disponibilização em um site de tudo que é apresentando na sala de aula. Tudo mesmo. Em casa, através da internet, o aluno pode rever a aula em vídeo (gravadas no formato ".avi"); apenas ouvi-la (em mp3); assistir a um recurso chamado de "lousa virtual", em que pode ver - em tempo simultâneo com o áudio da explicação do professor - tudo o que foi escrito no quadro na sala de aula; e ainda ter tudo guardado no chamado "caderno virtual", onde o professor grava tudo que foi apresentado. O site (www.wendelsantos.com) registra a média de 900 impressões de páginas por dia.
Revisão - "Com isso eu não preciso mais me preocupar em ficar copiando na aula. Posso prestar mais atenção ao que o professor está explicando. Quando chego em casa, aí sim, pego tudo no caderno virtual e, se tiver alguma dúvida, ainda posso rever trechos da aula", atesta Pedro Ivo, de 17 anos e que vai fazer vestibular para Química e Ciências Biológicas.
A verdade é que a utilização da internet como extensão da sala de aula é, de fato uma tendência. Diversos colégios já começam a arriscar os primeiros passos nesse sentido. A maioria, no entanto, ainda se limita a oferecer serviços aos alunos, como acessar as notas do boletim, gabaritos de provas, ou o calendário de aulas. Mas alguns começam a ir um pouco mais longe. No site de colégios como o Motivo ou o Equipe, por exemplo, os estudantes podem ver uma agenda diária com os assuntos que foram ensinados em sala de aula e até uma lista dos deveres de casa para os mais novos.
|