Chegaram ontem ao Recife os quatro técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) especialmente designados para investigar denúncias de supostas pesquisas irregulares com seres humanos que estariam sendo realizadas no Recife. Acompanhado pela Vigilância Sanitária Estadual (VSE), o grupo deve averiguar a atuação da empresa Pharmalink Indústria, Comércio e Representações Ltda, localizada no bairro de Tejipió e apontada por moradores como local de aliciamento de pessoas para testes com medicamentos. As cobaias humanas afirmam ter recebido valores entre R$ 130 e R$ 200 para participarem das pesquisas.
Já na tarde de ontem, os técnicos a Anvisa - que preferiram não falar com a Imprensa - estiveram no Laboratório de Tecnologia Química Farmacêutica (LTQF), instalado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde pretendem realizar uma auditoria. O estabelecimento, credenciado pelo Ministério da Saúde para a realização de testes de bioequivalência a exemplo dos que foram relatados pelos participantes das pesquisas supostamente irregulares, é dirigido pelo proprietário da Pharmalink, o pesquisador e professor da UFPE Antônio José Alves.
A Pharmalink foi fechada na semana passada porque no local foram encontrados tubos, seringas e algodões sujos de sangue, embora a empresa não tivesse autorização sanitária para coletar ou manipular hemoderivados. A empresa deve ser visitada hoje pelos técnicos da Anvisa. A agenda dos inspetores também inclui uma vistoria ao local apontado como uma espécie de clínica instalada na Madalena onde cobaias ficavam internadas. Durante a permanência, eles afirmam terem sido submetidos a exames de sangue após a administração de doses de medicamentos. Os procedimentos eram justificados como pesquisas para a aprovação de remédios genéricos. Também está prevista uma visita ao laboratório Biosanté, em Jaboatão, indicado pelas cobaias como local onde eram feitos os exames que selecionavam os participantes dos estudos.
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