Carteira de motorista não garante boa direção, tanto é que muitos jovens acabam traumatizados com as primeiras investidas nas ruas
Sonho de muitos é a carteira de habilitação, um verdadeiro símbolo de independência. Ter o direito de ir e vir sem depender da boa vontade dos pais, da carona dos amigos e sem precisar desembolsar a graninha do táxi é o que todo jovem quer. Por isso, ao atingir a tão esperada maioridade, os teens correm para as auto-escolas. Quarenta e cinco horas-aulas depois, estão (teoricamente) prontos para enfrentar o temido teste do Detran.
 Mariza conta que começou a "fazer muita besteira" e agora não quer mais dirigir. Foto: Glauco Spíndola/Especial para o DIARIO. | Para ser portador de uma carteira de habilitação, entretanto, não é preciso necessariamente ser um bom motorista. Há, inclusive, casos de pessoas que saem da auto-escola despreparadas para enfrentar o trânsito da cidade. "Tenho medo. Tirei carteira não sei como. Admito que não sei dirigir ainda", assume a estudante Mariza Gomes, 19 anos, habilitada há quatro meses. Mariza conta que decidiu entrar na auto-escola por influência da mãe, mas ainda se sente insegura para dirigir. Há quase dois meses ela não toca no carro.
O preparo insuficiente recebido nas aulas de direção contribuiu para que a estudante desenvolvesse uma espécie de aversão ao hábito de guiar. "Logo que tirei carteira estava mais animada, mas fui fazendo muita besteira e minha mãe ficou preocupada", explica a estudante.
Uma das queixas mais recorrentes entre aqueles que estão tentando a primeira habilitação é a falta de aulas práticas nas ruas da cidade. Muitos jovens afirmam que a preparação oferecida pela auto-escola se restringe ao necessário para ser aprovado no exame do Detran. "Acho que na auto-escola você aprende o básico do básico. No dia-a-dia é que você ganha prática", opina a estudante Bárbara Rodrigues, 18.
 Carlos estava ansioso para pegar no volante, mas ainda não encara uma BR. Foto: Juliana Leitão/Especial para o DIARIO. | Básico - A nova lei de trânsito estabeleceu a obrigatoriedade de uma carga horária de 30 horas de aulas teóricas, nas quais os alunos devem aprender noções de leis de trânsito, meio ambiente, primeiros socorros e direção defensiva. "Não consigo ficar antenada durante quatro horas, porque algumas aulas são meio monótonas", reclama Bárbara, que se prepara para o exame teórico do Detran e assiste quatro horas de aula por dia. "Você aprende algumas coisas óbvias que, no cotidiano, mesmo como pedestre ou passageiro você já sabe", diz. Bárbara conta que não vê a hora de ter nas mãos o tão sonhado passaporte para a independência. "Estou ansiosa porque é muito ruim ficar dependendo dos outros e tendo que me virar de ônibus", diz ela, que brinca dizendo que toda noção prática que tem é de "sair com o carro de primeira e colocar ele para frente e para trás".
A hora de enfrentar o exame prático faz muita gente tremer de medo. O medo e a vergonha de ser reprovado na frente de todos é motivo de preocupação. "Na hora do teste não lembrei de tirar o freio de mão e estanquei várias vezes na rampa", conta Mariza Gomes.
A estudante Cláudia Lobo, 18, mal atingiu a maioridade e já se matriculou na auto-escola. Experiente, ela não teve nenhum problema para ser aprovada no exame. "Aprendi a dirigir com meu pai", explica ela que hoje vai para todos os lugares devidamente motorizada. Assim como Cláudia, Carlos Duarte, 18, também estava ansioso para poder pegar no volante. Apesar de já ter se envolvido em um acidente de trânsito, ele não tem nenhum trauma e confessa que adora dirigir. "Logo que peguei a carteira já saí dirigindo sem problema nenhum. Vou para todo lugar, só não posso pegar estrada ainda", conta ele, que tirou carteira há quatro meses.
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