Duas décadas pelos mares dos cinco continentes. Com este feito no currículo, os Schürmann tornaram-se a primeira família brasileira a dar a volta ao Mundo a bordo de um veleiro, o Aysso, que em tupi-guarani significa corajoso - adjetivo que traduz o que é necessário para enfrentar os percalços típicos de uma grande jornada. Alguns desses momentos foram revelados ao Viagem na última semana, durante a passagem da família no Recife, ponto de parada de uma expedição comemorativa pela costa brasileira.
Lembranças não faltam, o que não é pra menos - afinal, foram nada menos que 130 mil quilômetros (70 mil milhas) percorridos, com visitas a 45 países e nove territórios. "Passamos por muitos momentos difíceis, mas o que compensa é a grande beleza dos lugares que passamos e das pessoas que conhecemos", afirma o capitão Vilfredo Schürmann, economista de 55 anos e que há 20 anos trocou o escritório pela navegação em alto-mar. Dos todos os lugares que visitou, ele destaca a ilha de Bora-Bora. "O lugar é mágico, o povo, sábio".
Já Heloísa Schürmann, casada com Vilfredo e escritora da família, revela um dos momentos do cotidiano no barco - a apreciação do pôr-do-sol. "É uma hora mágica e obrigatória para a gente. Todos nós paramos para contemplar um espetáculo como esse, seja onde for", afirma Heloísa, que tem preferência pelas ilhas da Polinésia. Opinião diferente do filho David, 30 anos e responsável pelo registro de imagens das expedições, incluindo fotografias e filmages. "A Patagônia foi o lugar que me marcou mais. Mergulhar embaixo do gelo foi fasntástico".
Mas nem tudo são flores quando se enfrenta as condições mais severas da natureza, como na vez em que os Schürmann ficaram 11 dias à deriva após uma tempestade, ou com os ventos de 110 km/h, no Estreito de Magalhães. De quebra, além dos tubarões brancos na África do Sul e as arraias jamantas de mais de três metros em Yap (Micronésia) os piratas também foram uma ameaça real no Mar da China. "Passamos por um grande susto também nas ilhas Philipinas, em 1999, com um barco a vela com 11 tripulantes que nos perseguia", completa o capitão. A família ainda é formada por Pierre (35 anos), Wilhem (27 anos) e a caçula Katherine, de 11 anos. A próxima expedição dos Schürmann, por enquanto, é segredo e será anunciada no final deste ano.
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