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Sai pra lá, enjôo!
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Como prevenir e se livrar de um mal capaz de estragar a viagem |
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Segurar chaves, chupar um palito de fósforo queimado, mascar chicletes, rezar para o tempo passar rápido. Quem sofre de enjôo de movimento já ouviu falar de mil e um macetes para tentar afastar o mal-estar. A tontura que embrulha o estômago, causando náuseas e vômitos, atinge mais de dois milhões de viajantes no mundo. O médico Eduardo Nogueira Vinhães, chefe do Departamento de Medicina de Viagem da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), explica que a doença deve ser analisada individualmente, já que vários fatores influenciam na sensação, como a alimentação e o meio de transporte.
"A doença do movimento, ou cinetose, acontece devido a conflitos sensórios de interpretação do cérebro. A audição, a visão e a percepção do espaço enviam mensagens contraditórias ao cérebro, que transmite a consciência do movimento", conta. Em um carro ou avião, você sente que está parado, mas na verdade seu corpo está em movimento. As paisagens passam rapidamente, os barulhos confundem. Esse tumulto nos sentidosprovoca o mal-estar.
Um dos envolvidos na miscelânea de sensações é o labirinto. O órgão, também conhecido como ouvido interno, fica entre o tímpano e o canal auditivo interno, e congrega as funções da audição e do equilíbrio. No entanto, o enjôo do movimento não está restrito ao labirinto. "A labirintite é uma inflamação do labirinto, não tem nada a ver com a doença do movimento", esclarece o médico.
Para curar o enjôo, o único método infalível é parar o movimento. Além dessa medida - que muitas vezes é simplesmente impossível - existem remédios que podem aliviar a tensão. Eduardo Nogueira explica que eles atuam diminuindo o estímulo do labirinto, uma das vias de informação conflitante no cérebro. E agem sobre o estômago de quem viaja. Mas, atenção: esses remédios devem ser tomados pelo menos uma hora antes que o viajante ponha o pé na estrada. É preciso ficar atento também aos efeitos colaterais. Como muitos desses medicamentos produzem sonolência, não são recomendados para quem precisa ou deseja praticaratividades físicas depois de pisar em terra firme.
Eduardo lembra que quem sofre constantemente do mal deve consultar um médico para fazer uma avaliação de saúde. Mas se a náusea é apenas uma companheira indesejável em algumas viagens, o jeito é treinar o corpo para torná-lo menos suscetível aos estímulos conflitantes. "O ideal é fazer um treinamento mesmo. A adaptação é variável, depende da condição individual e da viagem", explica.
Uma atitude importante é andar sempre de forma que seus olhos e ouvidos percebam o mesmo movimento. Em um carro, escolha o banco da frente. Já num navio - o maior vilão das vítimas da doença do movimento - procure ficar de pé, com o olhar fixo na linha do horizonte. Aliás, a dica do horizonte vale para todos os transportes. Desde que ele não esteja se movendo com a mesma rebeldia do seu estômago, é claro. (Do Estado de Minas)
Previna-se
n Se for viajar de automóvel, ofereça-se para dirigir. Contudo, se tomou medicamentos para o enjôo, que podem fazer com que se sinta sonolento, não conduza o veículo
n Não faça refeições exageradas nem beba álcool ou cafeína antes e durante a viagem
n Afaste-se dos odores fortes e de comidas temperadas e oleosas
n Consuma líquidos com uma certa freqüência
n Não leia nem sente perto de fumantes
n No avião, escolha um assento próximo da asa, onde há menos oscilações. Nas embarcações, vale o mesmo princípio: evite ficar nas extremidades
n Tente não entrar em pânico. Respire lenta e profundamente
n Evite olhar demais para algo em movimento, como as ondas do mar
n Não se sente de costas para a direção do movimento
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