Nascido em 11 de agosto de 1912, o pernambucano Clóvis Campello esteve até perto de sua morte, em 1981, envolvido em grandes acontecimentos da política nacional. Engajado na militância com apenas 18 anos, participou da Revolução de 1930, da fundação do Partido Comunista e da luta pela causa dos camponeses no Estado, acumulando memórias que testemunham as transformações atravessadas pelo País durante quase 40 anos. Tantas batalhas resultaram em um legado transmitido no livro Diário de um Agitador, autobiografia de Campello a ser lançada hoje à noite, na Livraria Cultura, Paço Alfândega, às 19h.
A obra póstuma é dividida em dois volumes, que abrangem períodos distintos dessa história. Tempos Idos cobre a época que vai de 1926 a 1945. Já Tempos Modernos aborda o período entre 1960 a 1964. O ponto de partida de sua trajetória revolucionária é a morte do irmão mais velho do autor, Cleto Campello, assassinado em Gravatá quando tentava alistar-se na Coluna Prestes. Posteriormente, destacou-se como líder sindical, à frente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaboatão, trabalhando na estruturação das famosas Ligas Camponesas.
Diário de um Agitador já estava pronto na década de sessenta. Após o golpe militar, entretanto, os manuscritos foram confiscados pelo Exército, que invadiu a casa de Campello em abril de 1964. Mas a idéia de registrar suas memórias e sua visão de mundo permaneceu, chegando novamente ao papel, apesar da publicação ter sido barrada pela censura ainda vigente até o início dos anos oitenta. Levada a público agora, a obra contribui para a compreensão de todos esses episódios da história recente. "A família manteve guardado o livro durante esse tempo. Concordamos que este era um bom momento para que fosse lançado e a Editora Massangana também percebeu a importância histórica da obra", revelou Nalva Cristina Campello, filha do autor.
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