O Hospital da Restauração (HR) voltou ontem a apresentar problemas por conta da entrega dos cargos de quatro dos sete profissionais encarregados de coordenar as equipes de atendimento da emergência. Além deles, segundo a direção da unidade, outro chefe de plantão também teria deixado o cargo no mês passado, enquanto um dos dois que ainda restam na função já teria externado sua intenção de deixá-la.
Para o vice-diretor do hospital, George Telles, o atendimento na emergência não sofreu conseqüências. "As equipes continuam as mesmas porque os médicos só pediram para deixar os cargos de chefia, mas continuam atendendo normalmente. A diferença agora é que os plantões passam a ter vários gerentes administrativos", garantiu. No entanto, vários funcionários que não quiseram se identificar afirmaram que, com a falta da chefia, a situação era de caos na emergência do HR.
A superlotação na emergência acabou refletindo no movimento de outras unidades. No Hospital Getúlio Vargas - que enfrentou problemas na semana passada depois do pedido simultâneo de demissão de cinco traumato-ortopedistas - o movimento durante o dia de ontem foi considerado bem mais acentuado, segundo a chefia de plantão do hospital.
Tanto a direção do HR quanto representantes do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) alegaram que o principal motivo do pedido de afastamento dos cargos de chefia no HR foi o alto nível de estresse e a sobrecarga de trabalho na emergência da unidade, que é a maior do Norte/Nordeste. Além disso, o presidente do Simepe, André Longo, afirmou que falta um canal de diálogo entre a direção e os médicos, o que dificultaria ainda mais a sua atuação. "A responsabilidade de um chefe de plantão é enorme e o papel deles é fundamental dentro da emergência. Mas na prática eles estão sujeitos a péssimas condições de trabalho e a salários defasados, o que os leva a uma situação-limite", sustenta.
Já o vice-diretor da unidade afirma entender as alegações apresentadas pelos médicos. "Reconheço que temos problemas internos para resolver, mas a grande dificuldade está nas falhas do atendimento básico, o que acaba superdimensionando a nossa demanda. Aqui só deveriam ser atendidos pacientes politraumatizados e com risco iminente de morte". Só ontem, cerca de 170 pacientes estavam internados na emergência, cuja capacidade de atendimento é de 96 pessoas.
No intuito de contornar a situação, a direção do HR marcou para hoje uma reunião entre representantes do hospital, os chefes de plantão que pediram afastamento e o secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho. O objetivo, segundo George Telles, é de tentar reconduzir os profissionais de volta às funções de chefia.
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