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Edição de Quarta-Feira, 15 de Setembro de 2004 
Vida Urbana | Violência continua em alta no Estado
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VIDA URBANA
Violência continua em alta no Estado
Total de mortes violentas caiu, mas cresceu entre jovens de 13 a 17 anos
Tânia Passos
DA EQUIPE DO DIARIO
O primeiro balanço da violência divulgado pela Secretaria de Defesa Social desde que o novo plano de segurança pública foi implantado indica uma redução em 15,8%, em termos gerais, no número de mortes não naturais no Estado, mas revela também que a criminalidade continua a fazer graves baixas em Pernambuco. Os indicativos estão em várias páginas do documento entregue pelo secretário João Braga aos deputados que participaram de uma audiência pública. O balanço, que compara dados dos primeiros semestres de 2003 e 2004, mostra, por exemplo, que aumentou o número de mortes em determinados segmentos populacionais. O número de mortes violentas de jovens na faixa dos 13 aos 17 anos passou de 6,7 para 10%. Em números absolutos, um crescimento de 161 para 202 mortes.

  Os homicídios também cresceram entre os que estão na faixa de 31 a 65 anos. Uma elevação de 17,6% para 30% - ou seja, de 423 para 606 assassinatos. O desempenho ainda negativo também pode ser observado em outras esferas. Os assassinatos causados por armas de fogo caíram de 87% para 85%, quando comparados os primeiros meses de 2003 e 2004. Ao mesmo tempo, homicídios gerados por armas brancas e por outros objetos tiveram um aumento de 8% para 9% e de 5% para 6%, respectivamente.

  Apesar da redução nos números de homicídios no Recife, Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão, quando comparados dados dos primeiros semestres de 2003 e 2004, há um dado preocupante: o número de mortes não naturais na Capital aumentou nos meses de maio e junho, os mais recentes da estatística. No mês de abril, por exemplo, foram 79 mortes. Em maio foram 88 e em junho esse número passou para 97. Um aumento de quase 23% em dois meses.

Faixa - A principal redução em mortes não naturais é identificada na faixa dos adultos jovens (18/30 anos). Os números mostram que houve uma queda de 66,8% para 55%, ou seja de 1.605 mortes para 1.112 no primeiro semestre, em números absolutos. O otimismo na divulgação dos números pela SDS não foi compartilhado pelos deputados e ONGs. Para o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Roberto Leandro, os números são contraditórios. "O secretário destacou apenas o segmento onde houve redução, mas na realidade há aumento em algumas áreas". João Braga sustenta que em termos gerais a redução foi de 15,8%. "Houve uma redução, mas precisamos avançar principalmente na faixa dos jovens. Isso precisa ser feito com o combate às drogas", destacou antecipando a reformulação de uma delegacia no combate ao narcotráfico que funcionará no Espinheiro.

Bairros apontados como perigosos pelo Mapa da Violência, documento da própria SDS a partir de números de 2003, voltaram a apresentar índices preocupantes no primeiro semestre deste ano. Mortes violentas no Ibura, por exemplo, passaram de 57 para 71. Em Santo Amaro, foram 18 contra 24. A Imbiribeira, que em 2003 registrou 7 mortes, neste semestre contabilizou 21. De 81 bairros e localidades existentes na Capital, a violência aumentou em 15 e reduziu em 76.

  O Estado também tevesaldo negativo em relação a roubo de carros. Em 2003 foram roubados 3.386 carros, este ano já são 3.566, um aumento de 5,3%. Situação diferente quando o enfoque é furto de carros, que teve queda de 18,5%: 1.365, em 2003, para 1.112 neste ano.
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