BRASíLIA - O presidente Lula deixou claro anteontem à noite, durante o jantar com senadores do PFL e do PSDB, que é contra a reeleição e defendeu um mandato de cinco ou seis anos para o cargo. "É o ideal", afirmou, para lembrar que, dificilmente, é possível realizar um segundo mandato tão bom quanto o primeiro. Lula tratou da reeleição quando o assunto foi abordado pelo senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO). Foi nesse momento também que o presidente criticou o ex-presidente Fernando Henrique. Pelo raciocínio de Lula, os primeiros anos de FHC foram "brilhantes". "Mas ele poderia ter ficado por aí e sair consagrado, mas não, foi cuidar só de reeleição nos dois últimos anos de seu primeiro mandato."
Segundo um senador que participou do reunião na casa ministro da Casa Civil, José Dirceu, o presidente afirmou que não deseja rachar a oposição e nem mesmo cooptar senadores para apoiar o Governo. Ao mencionar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), Lula afirmou que falara com ele, recordando também dos recentesatritos públicos entre o tucano e Dirceu. Em relação às votações, o presidente foi explícito, ao pedir apoio para aprovação de projetos importantes no Senado, citando como exemplos os que tratam da Parceria Público-Privada (PPP) e da Biossegurança. "Não é para o meu Governo, mas são do interesse do País", completou. Ao ressaltar que não quer rachar a oposição, como o encontro foi interpretado por senadores do PFL, Lula disse que duvidou de que a iniciativa havia sido oportuna e, por isso, ampliará as conversações com outros senadores.
Ao sair da reunião de líderes no Senado para discutir a pauta de votações da semana, o senador Tasso também comentou o jantar. Ele disse que dialogar é bom, mas alertou para o espírito de cooptação dos senadores da oposição que ficou após o encontro.
Expulsão - O PFL iniciou, ontem, sob grande confusão, um processo de expulsão de ACM, que articulou o encontro. A aproximação formal do grupo com o Governo aprofundou o racha entre ACM e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defensor de uma oposição sistemática ao Palácio do Planalto. Após as eleições municipais, Bornhausen pretende intervir nos diretórios do partido na Bahia, no Maranhão e no Tocantins.
Segundo o pedido, feito pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), o senador baiano infringiu o estatuto partidário. Além de ACM, os pefelistas que compareceram ao jantar foram César Borges (BA), Roseana Sarney (MA), Edison Lobão (MA), João Ribeiro (TO) e Rodolpho Tourinho (BA). O deputado Eduardo Sciarra (PR) é o relator do processo. Ele pretende notificar hoje ACM, que terá oito dias para apresentar sua defesa. Seu parecer deve ser apresentado à Executiva Nacional no próximo dia 7, quando será votado. Para ser aprovado, precisa da maioria simples dos 31 membros.
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