A vida na Série B não é fácil. E o problema se agrava para aqueles que vão se acostumando com a morada de segunda categoria, achando natural a goteira na cabeceira da cama, o piso de chão batido, a falta d'água. Quando viram habitué da Segundona. Escrevo esta coluna antes de saber do resultado da rodada de ontem à noite, mas mesmo que Remo e América/MG tenham conseguido ótimos resultados, eles continuam sendo bons exemplos para ilustrar este comentário. A um passo da ribanceira que dá na Terceirona, os dois estão (ainda) naquele grupo de clubes chamados de intermediários do futebol nacional, com tradição, torcida e história. Mas paraenses e mineiros - e por que não o América potiguar, que também já freqüentou o banquete da Primeira Divisão? - comprovam que é preciso mais que camisa. O enxugamento das séries A e B, o eterno problema financeiro dos clubes, entre outros fatores, fazem com que a permanência na Série B seja, além de incômoda para alguns, perigosa. Desde que Pernambuco se mudou de mala e cuia paraa Segundona, com rebaixamento de Santa Cruz e Sport, em 2001, que o Estado não vê uma agonia tão grande entre os seus clubes - o Náutico é exceção tanto em 2004, com a excelente campanha, quanto em 2002, ano em que se livrou do rebaixamento para a Série C nos minutos finais da última rodada. Embora dependendo apenas de si para ficar no G8, o Santa viveu situações mais cômodas nas edições anteriores da competição. Pior o Sport, que precisa vencer seus jogos e torcer por uma combinação fantástica de resultados, após conviver rodadas com a famigerada zona de rebaixamento. Que os exemplos dos outros nos sirvam de alerta.
Notas
Exceções Os árbitros Wilson Souza e Erich Bandeira passaram com louvor nos testes físicos da Fifa realizados ontem, no Rio de Janeiro. Em primeiro e segundo lugares, respectivamente. É pena que eles sejam exceções à regra, que não é nada clara neste caso. Num futebol dito profissional, a categoria passa longe da profissionalização.
El Loco O pedido de demissão de Marcelo Bielsa do comando da seleção argentina causou surpresa no mundo do futebol. Achava-se que a medalha de ouro em Atenas havia acomodado a sua situação, abalada desde a eliminação precoce da Copa de 2002. Os motivos da saída ainda não foram esclarecidos, mas o apelido de El Loco de Bielsa pode dizer alguma coisa.
Absurdo A notícia de que o Atlético Paranaense pediria uma autorização especial à CBF para inscrever o atacante Jorge Henrique antes do prazo final da Série A, na sexta-feira, até que a situação do processo na Justiça do Trabalho seja resolvida, é absurda. Só não mais se a entidade resolver concedê-la. O nosso futebol se alimenta de absurdos.
Nildo Agora, com Nildo no São Paulo, a história pode se repetir. Alguns jogadores - Nildo e Leonardo são bons exemplos - recebem uma responsabilidade maior do que deveriam carregar quando as coisas não estão boas num clube e chegam a não render o que podem. Em ambientes mais leves, o futebol flui naturalmente.
Roubo Andaime e martelos hidráulicos foram roubados na noite de sábado da arquibancada em reforma do Arruda. O prejuízo é de R$ 10.900,00. Não é de hoje que o clube tricolor vem sofrendo com ação de larápios. Não seria mais fácil trazer de volta os rottweilwers, que tempos atrás faziam a segurança do Arruda.
Viúvas Chama-se de viúvas no futebol aqueles torcedores que vivem lamentando saídas de um ou outro jogador dos seus clubes. É inegável, no entanto, que alguns rubro-negros suspiram quando vêem Leonardo marcando gols pelo Paysandu e ajudando a tirar o Papão da zona de rebaixamento da Série A.
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