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Edição de Quarta-Feira, 15 de Setembro de 2004 
Esportes | Pelé faz duras críticas a cartolas e jogadores
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ESPORTES
Pelé faz duras críticas a cartolas e jogadores
POLÊMICA
O Rei Pelé resolveu atacar alguns dos mais polêmicos dirigentes do País. Irritado com as recentes críticas à lei que leva seu nome, o Atleta do Século disparou ontem contra os cartolas dos grandes clubes do futebol brasileiro, acusando-os de corrupção e incompetência. Nem os jogadores escaparam: foram descritos como burros e desunidos. "O futebol brasileiro está nessa falência pela falta de profissionalismo e de honestidade dos dirigentes", disse Pelé, em entrevista em São Paulo. "Os caras roubam os clubes, somem com o dinheiro e vêm por a culpa na Lei".

  Questionado, o ex-jogador, sem titubear, afirmou que a corrupção afeta a maioria dos cartolas nacionais e citou os do Flamengo, do Corinthians e do Vasco como exemplos de desonestidade. "Cadê o dinheiro que entrou no Flamengo, os R$ 80 milhões da ISL? E o do Corinthians, da Hicks Muse? No Vasco, com o Nations Bank, foram outros R$ 70 milhões. Era para pagar as dívidas, construir estádio... E aonde foi o dinheiro?"

  Há um mês, dirigentes do Corinthians edo Flamengo culparam a Lei Pelé pelo fato de os principais jogadores brasileiros estarem em clubes do exterior. "Essa lei está destruindo o futebol brasileiro", afirmou o vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, após a saída do lateral Rogério para jogar no Sporting de Portugal.

  Para Pelé, a saída de grandes jogadores para a Europa existe desde a época em que ainda jogava, mas a penúria do futebol nacional é recente. "Os times já estavam falidos antes da Lei Pelé. Agora, porque têm de vender jogador, a culpa é da Lei Pelé", afirmou, indignado, acrescentando que, nos seus cálculos, pelo menos R$ 500 milhões entraram nos grandes clubes desde que as empresas estrangeiras começaram a investir no futebol nacional, mas o dinheiro foi parar no bolso dos cartolas.

  Sobre a Lei Pelé, número 9.615, promulgada em 25 de março de 1998, o ex-jogador defendeu o texto dizendo que foi um grande avanço para o esporte nacional, mas reconheceu que ele é incompleto e insuficiente. "A lei não é o que eu queria. Falta, principalmente, a exigência de prestação de contas dos clubes", disse.

  Pelé culpou principalmente os dirigentes dos clubes, mas não isentou os próprios jogadores. Segundo ele, os atletas estão errados ao não se unir como classe e ao não aproveitar a liberdade permitida pela extinção do passe. "É um problema de burrice. Eles tiveram a liberdade, mas tiraram o clube e passaram a ficar nas mãos de empresários".

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