Sete anos depois do início da série 996, que introduziu o motor arrefecido a água em lugar de ar, a Porsche continua atenta. O carro anterior foi bem aceito e bateu recordes de vendas, apesar da semelhança na parte frontal com o Boxster, modelo mais barato da marca. Agora, a série 997 faz um aplaudido retorno ao passado, em termos de estilo, e ao mesmo tempo renova 85% dos componentes. Só o teto permaneceu igual.
 Esportivo que dispõe de seis air bags passa a oferecer pela primeira vez, em 40 anos de 911, um conjunto roda-pneu de maior diâmetro, para melhor comportamento dinâmico e transmissão de potência ao solo (aros de 18 e 19 polegada de diâmetro, estes de série no S. Fotos: Divulgação | O 911 Carrera, versão de entrada, possui motor de 3,6 litros/325 cv, ante 320 cv, e há o novo e atraente Carrera S de 3,8 litros e 355 cv. A despeito de todas as melhorias e novos itens de série, o acréscimo de preço do Carrera é de apenas US$ 700,00. Já o S custa cerca de 10% mais. No Brasil, a partir de outubro, os preços ficam entre US$ 169 mil e US$ 187 mil.
Há concessões às alas saudosista e modernista dos inúmeros fãs do modelo ao redor do mundo. A volta dos faróis ovais, deslocados um pouco para trás e para fora, recuperou a personalidade própria. A carroceria manteve o comprimento, porém está4 cm mais larga. Suprimiram-se as molduras de borracha em torno do pára-brisa e vidro traseiro. Portas, maçanetas e espelhos retrovisores são novos. Atrás, mudanças sutis nas lanternas, tomadas de ar do motor e ponteiras de escapamento. Até o limpador traseiro mudou: o braço sai do vidro.
 Fotos: Divulgação | No interior, bastante modificado, painel e quadro de instrumentos foram modernizados. Talvez demais, pois a atmosfera interna lembra a de outros supercupês. A tradição continua na chave de ignição do lado esquerdo e no conta-giros em posição central. O espaço melhorou especialmente para pessoas altas: bancos mais baixos, pedais um centímetro à frente e, só agora, regulagem do volante também em altura. Destaque para o cronômetro analógico/digital opcional, parte de um pacote esportivo específico que interage com a avançada eletrônica de bordo.
Juventude - Parecendo beber numa fonte da juventude eterna, o 911 evoluiu na aerodinâmica (Cx baixou de 0,30 para 0,28). Adotou uma suspensão ativa com controle eletrônico dos amortecedores e com altura de rodagem 1 cm menor, opcional no Carrera e de série no S.
O sistema usa cinco parâmetros de referência e 10 programas, divididos entre os modos normal e esporte, à escolha do motorista. Pode atuar em conjunto ou separado do controle de trajetória (desligável), tudo resultando, na prática, num eficiente gerenciamento eletrônico de estabilidade. O cliente pode pedir ainda o pacote de suspensão esportiva, incluindo diferencial autobloqueante mecânico.
Entre várias novidades, destacam-se direção de relação variável; novo câmbio manual de seis marchas, rigidez torcional e flexional da carroceria incrementada em 8% e 40%, respectivamente; carenagem ampliada da superfície inferior do chassi; fluxo de ar otimizado para os freios.
Pela primeira vez em 40 anos de 911 se utiliza um conjunto roda-pneu de maior diâmetro, para melhores comportamento dinâmico e transmissão de potência ao solo (aros de 18 e 19 pol de diâmetro, estes de série no S.
O carro dispõe de seis airbags, incluindo duas bolsas tipo cortina que, de forma inédita, não descem do teto: sobem a partir das laterais das portas. Para manter o peso no limiar de 1.400 kg, substituíram-se estepe, macaco e chave de roda por um pequeno compressor e um tubo de spray vedante. Até a vareta de óleo foi suprimida e a tampa do porta-malas é de alumínio.
A fábrica ofereceu um circuito de avaliação por estradas, pequenas cidades, via rurais e auto-estradas, em região próxima a Hannover. Ao longo de 350 quilômetros foi possível avaliar primeiramente o novo Carrera, que impõe sua presença mesmo na Alemanha.
A primeira boa impressão fica com o banco, muito bem redesenhado, de encosto mais alto e ótimo apoio lateral. O interior é todo revestido em couro de diferentes texturas e o acabamento, simplesmente perfeito. Impossível não achar uma privilegiada posição ao volante. A nova caixa de direção é mais rápida a partir de 30 graus de movimento do volante, o que melhorou a agilidade e o prazer de dirigir em traçados sinuosos. A alavanca de câmbio, agora,tem curso menor sem perder precisão e maciez de engates.
Em seguida, o Carrera S disse logo a que veio, por seu diferenciado ronco gutural e uma aceleração de pregar as costas no banco: 0 a 100 km/h em 4,8 s, com velocidade máxima de 293 km/h. Os bancos são ainda mais envolventes. Os freios com quatro enormes discos de 330 mm de diâmetro, uma emoção à parte por sua potência e resistência ao aquecimento. A estabilidade, graças a bitolas, rodas e pneus mais largos, está ainda melhor. Ao acionar o botão da suspensão ativa no modo normal, os amortecedores ficam progressivamente macios e endurecem logo ao se exigir do carro em curvas ou freadas enérgicas.
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