RIO - Dalva Lazaroni, brava mulher das lutas políticas e culturais do Rio, candidata a vereadora, estava na Praça Quinze com um grupo de jovens, distribuindo seus papéis de campanha. Chega um homem elegante, terno e gravata finos, pasta preta numa mão e um enorme pacote de pipocas na outra:
"Tudo bem, Dalva? O que é que você está fazendo aqui"?
"Minha campanha para vereadora. Leia minhas propostas".
"Então você também quer roubar, Dalva"?
"Quero, sim! E é para já! Vou começar roubando você".
Avançou sobre o homem elegante, tomou seu pacote de pipocas e saiu comendo. Dalva nunca o tinha visto. O público aplaudiu.
Dona Marta
São Paulo, domingo, estava ainda mais engraçado. Luis Favre, o argentino-francês marido de dona Marta e coordenador-chefe da campanha, levou para um show-comício na Fazenda da Juta, em Sapopemba, zona leste, uma das mais pobres da capital, a dupla Rio Negro e Solimões e o prefeito da Ile de France, que abrange a cidade de Paris, o socialista Jean-Paul Huchon.
Discursandoem francês para uma platéia perplexa de moradores do conjunto habitacional, Huchon prometeu ajudar a prefeita. Em silêncio, eles ouviram uma Marta vestida de blusa jeans e calça caqui traduzir a promessa. O PT não se contentou em federalizar a campanha. Resolveu internacionalizar.
"Na zona sul, na Capela do Socorro, o chamariz foi a dupla Zezé di Camargo e Luciano, que declarou apoio a ela. Depois de cantarem seus maiores sucessos e de se desculpar pela expressão, Zezé di Camargo disse: "A Marta é uma mulher que, se preciso for, pega no bicho e bate na mesa" (Folha).
Não foi preciso provar. Não havia mesa.
Ministro do exterior
Lula, ministro do Exterior do governo, declarou à revista Época:
"Eu perguntei para Meirelles: - Tem lógica vocês fazerem reunião do Copom todo mês? Estou cheio do clima de especulação criado cada vez que o Comitê de Política Monetária se encontra para definir a taxa de juros. É uma tensão desnecessária. Perguntei para Meirelles se não era possível se reunir sem avisar e sóanunciar o resultado depois. Me dá vontade de decretar feriado nacional no dia de reunião do Copom".
Ontem, de Basiléia, na Suíça, Meirelles deu a resposta, categórica "Não temos planos de mudar a agenda de reuniões do Copom".
O País elegeu Lula, e, sem consultar ninguém, ele passou a Presidência para Meirelles, comprou um jatão de R$ 170 milhões e assumiu o ministério do Exterior, para viajar muito, que ninguém é de ferro.
Banco central
Não é pirraça contra o Banco Central. É que ele virou o sindicatão dos banqueiros e da agiotagem, nacional e internacional. A "Folha" contou:
"Economistas reunidos nesta semana com diretores do Banco Central em São Paulo foram quase unânimes na conclusão: os juros devem subir. Falta apenas definir quando e quanto. O principal argumento levantado no encontro BC-economistas, para embasar o refrão de que o País dificilmente escapará de ajustes nos juros, apesar da ladainha de Lula e companhia, foi o crescimento acelerado" (sic).
Não é reunião. É covil. Essa gentese diz "economistas", mas são apenas lobistas de banqueiros e da agiotagem. Querem juros cada vez mais altos para lucrarem sempre mais, e para isso condenam o País à estagnação celerada.
Antonio Carlos
O projeto de Antonio Carlos, comunicado aos amigos de Salvador, não é criar um novo partido. É tirar dos partidos de oposição, no Senado, uma bancada chapa-branca, adesista, para negociar cada projeto com Lula.
Se houver forte reação do PFL, PSDB, PDT, com ameaças de expulsão, aí, sim, ele vai exigir do Palácio do Planalto a entrada do grupo (senadores, deputados e uns poucos governadores) em um dos partidos-cabide do Governo (PTB, PP, PL), em número tal que acabem assumindo o comando do partido.
Prefere o PTB, porque "é mais nacional, mais forte e não tem dono".
Antonio Carlos está preparando um palco nacional para amortecer o impacto de sua derrota nas eleições de Salvador e grandes cidades da Bahia.
Jamaica
Ivan o Terrível, o furacão que varreu o Caribe e está devastando Cuba, deu um sustoe fez um estrago na casa do embaixador do Brasil na Jamaica, o jovem e sereno carioca César Amaral, em Kingston, na capital.
Os ventos de mais de 200 quilômetros arrasaram os jardins, o quintal, e carregaram o telhado. Ainda bem que não foi construída por Sérgio Naya.
|