Na Rússia dos últimos dias a dificuldade nacional consistiu em contar os mortos pelo terrorismo, tão numerosos foram os sucumbidos à sanha do fanatismo da pior extração. Antes da Escola na cidade de Beslan, dois aviões de passageiros foram dinamitados em pleno ar, notando os peritos que sequer houve diferença maior que a de um minuto entre um e outro acidente. O terrorismo está matando a mancheias e de modo sincronizado.
Mas o despropósito russo chega ao paroxismo, ao extremo limite da malvadeza humana. Assalta-se com toda sorte de armamento, sobretudo bombas e granadas, uma escola pejada de meninos e jovens reunidos aos pais e mestres a fim de abrirem o ano letivo. A troco de que? Os terroristas imaginaram que, pela audácia sem par de ameaçar a vida de tantos inocentes com a iminente utilização de meios tão mortíferos, pudessem anular o sangue frio das autoridades, que logo consentiriam em lhes satisfazer o capricho, no caso a libertação de uma parte do território da federação russa.
Há alguns meses, os nacionalistas de ocasião perpetraram invasão semelhante a um teatro cheio de gente, em noite de conceituado espetáculo. As autoridades já ali não se intimidaram, e o resultado foi a invasão do edifício pela polícia especializada. Da luta sobreveio mais de uma centena de mortos entre terroristas encapuçados e pessoas inocentes.
No caso do episódio conhecido como o 11 de setembro, nos Estados Unidos, o terrorismo achou que poderia, num golpe só, acertado pelo relógio, acabar com dois edifícios-símbolos do capitalismo ocidental, bombardear a sede das Forças Armadas norte-americanas, o Pentágono, e também destruir a casa onde se domicilia o Executivo ianque. O episódio fez reacenderem todas as luzes da vigilância nesta parte do mundo, constituindo-se uma de suas conseqüências - esta a verdade - o assalto norte-americano do Iraque.
Escorre sangue pelo mundo afora, mas o sangue perdido não se lamenta porque lutam entre si blocos políticos e econômicos que se antagonizam. Sentimo-nos na obrigação de dizer quetestemunhamos o pior, a guerra indiscriminada a ceifar a vida de inocentes, e tudo se consuma sob o espesso véu do anonimato e da covardia a mais perversa. A sanha criminosa se tem feito tão nojenta que nenhuma voz, no mundo inteiro, lembrou de lembrar as causas por que se bate o terrorismo na perpetração de suas ameaças. Os atos terroristas terminam ficando como efeito sem causa, e mais cedo do que se imagina logo saem da memória coletiva os motivos que os determinaram. De pé fica, apenas, a condenação uníssona e unânime da humanidade vitimada.
Nas torres altas de New York, foram mais de 3.000 as vítimas da destruição; no teatro moscovita, cerca de 200 as pessoas inocentes sacrificadas; e agora, na escola de Beslan, cerca de 400 criancinhas jovens e respectivos familiares morreram por nada, absolutamente por nada. Morreram porque existem aqueles que acreditam na morte como remédio para as dificuldades da vida, porque não puderam ainda ser afastados da comunhão dos homens.
Os atos terroristas terminam ficando como efeito sem causa, e mais cedo do que se imagina saem da memória coletiva os motivos deles
Frases Não quero queimar pontes nunca. Ele não quer também. Ele queima sem querer, mas queima ponte. É má política. Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, sobre as críticas ao seu governo feitas pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu
No início a gente marcou um gol e ficou mais fácil. Acho que apareci bem, e cheguei perto de marcar um gol, o que seria bem melhor. Juninho Pernambucano, jogador da Seleção brasileira de futebol, referindo-se à vitória sobre a Bolívia, pelas eliminatórias da Copa do Mundo
Um tem que colocar o dedo na cara do outro e cobrar, porque se continuarmos assim não daremos "dois pulos" no quadrangular.<BR> Kuki, jogador do Clube Náutico Capibaribe, cobrando mais atitude de seus companheiros de time após derrota para o Bahia
Judeus do Recife em Nova York
Leonardo Dantas Silva - HISTORIADOR
Neste mês de setembro, os judeus de Nova York estarão comemorando 350 anos da chegada dos primeiros 23 à ilha de Manhattan, que, saídos do Recife após a rendição dos holandeses em janeiro de 1654, vieram a fundar a primeira comunidade judaica da América do Norte.
A saga desse grupo originário do Recife foi descrita na época pelo rabino de Amsterdã, Saul Levi Mortera, pouco antes do seu falecimento em 1660, no manuscrito intitulado Providencia de Dios con Israel. Conta ele que passageiros do navio Valk, que empreendiam viagem com destino ao porto de Amsterdã, tiveram o seu barco tomado por espanhóis que ameaçavam de os entregar à Inquisição.
Na Jamaica, porém, foram os judeus libertados pelos franceses e, com eles, rumaram em direção à Nova Amsterdã a bordo do barco Sainte Catherine. Desse grupo de refugiados, 23 judeus, entre homens, mulheres e crianças, chegaram ao porto da Nova Amsterdã em setembro de 1654, fundando assim a primeira comunidade judaica daquela que veio a ser a cidade de Nova Iorque.
Em 1954, por ocasião do terceiro centenário da chegada desses primeiros sefarditas à Nova Iorque, o local do desembarque foi assinalado com marco em pedra colocado pelas autoridades estaduais, mas sem qualquer referência a origem dos 23 que haveriam saído do Recife. Estudando o tema, o historiador Arnold Wiznitzer nos dá informes preciosos em seu livro publicado pela Universidade de Columbia (1960), Jews in colonial Brazil, no qual descreve:
A maioria de quase cento e cinqüenta famílias judaicas que partiram do Brasil-Holandês se destinava à Holanda. Dali, algumas delas eventualmente voltaram ao Novo Mundo para fundar novas comunidades judaicas na região do Caribe. Algumas foram de Amsterdã para a Inglaterra, outras para a América do Norte. Algumas tiveram de enfrentar grandes dificuldades em suas viagens. Os ocupantes de pelo menos dois navios caíram nas mãos do inimigo, logo depois que deixaram o Brasil. Um segundo grupo foi detido na ilha de Jamaica pelos espanhóis, eparece que em novembro de 1654 ainda estavam lá, ocasião em que representantes dos judeus de Amsterdã intercederam em favor das pessoas da nação judaico-portuguesa que partiram do Recife na fragata Valk. Sua petição solicitava que os cônsules holandeses de Cadiz e San Sebastian interviessem junto ao Rei de Espanha, a fim de rogar a libertação dos prisioneiros judeus-brasileiros. O governo holandês deferiu imediatamente o pedido dos judeus, e no mesmo dia escreveu aos cônsules declarando, entre outras coisas, que considerava muito sério esse caso. Desse grupo, 23 tiveram melhor sorte: o mais antigo volume existente dos relatórios da cidade de Nova Iorque mostra que já em setembro de 1654 havia em Nova Amsterdã 23 refugiados do Brasil, todos chegados do Cabo de San Antonio, Cuba, no barco Sainte Catherine.
Entre esses 23 adultos e crianças, foram identificados três homens citados no relatório da cidade como pessoas que assinaram o livro de atas da Congregação Zur Israel do Recife, no ano de 1648: Abraham Israel, David Israel e Mose Lumbroso.
Segundo a mesma fonte a festa do Rosh Hashanah (ano novo judaico), no ano de 5415, caiu em 12 de setembro, e os adultos entre esses judeus, juntos com outros que já se encontravam na Nova Amsterdã, "bem podiam ter dirigido nesse dia o primeiro dos cultos divinos a realizar-se na Ilha de Manhattan. Esses vinte e três judeus, refugiados do Brasil, foram os fundadores da primeira comunidade judaica de Nova York".
Antes desse grupo, segundo José Antônio Gonsalves de Mello, já se encontrava em terras da Nova Amsterdã o judeu askenazin Jacob Barsimson - deve ter sido Jacob bar Simson -, cujo nome aparece mencionado em documento do Recife, em 31 de março de 1647 (Dag. Notule). Fora ele o primeiro judeu a se fixar na que viria a ser a cidade de Nova Iorque, para onde se transferiu através da Holanda. A informação é acrescida por Günter Böhm, adiantando que Barsimson, depois do seu regresso do Brasil, saiu da Holanda a bordo do navio Pereboom, tendo aportado na Nova Amsterdã em 8de julho de 1654, um pouco antes da chegada dos 23 judeus vindos do Recife.
Segundo comprovação de pesquisas junto ao arquivo do mais antigo cemitério judaico de Nova York, pertencente a Kahal Kadosh Shearith Israel, ou seja, Santa Congregação "O Remanescente de Israel", membros da Congregação Zur Israel do Recife aparecem em documentos da segunda metade do século XVII. Um deles, Benjamin Bueno de Mesquita, um dos 172 subscritores do Haskamot, firmado no Recife em 30 de novembro de 1648, ali falecido em 1683, tem a sua lousa tumular preservada naquele cemitério nova-iorquino.
Estaleiro e auto-estima
Bruno Araújo - DEPUTADO ESTADUAL E LÍDER DO GOVERNO DE PERNAMBUCO
Durante décadas Pernambuco sonhou com um grande projeto industrial para alavancar a sua economia. Chegou-se a pensar, nesses últimos 20 anos, em uma grande siderurgia, uma montadora de automóveis e uma refinaria de petróleo. Nenhum desses grandes projetos aportou no nosso Estado. Talvez porque, para a atração de um empreendimento dessa envergadura faltasse primeiro criar-se uma infra-estrutura adequada e uma eficiente logística.
Essa visão de criar as ferramentas necessárias para induzir o crescimento econômico teve o governador Jarbas Vasconcelos, logo ao assumir seu primeiro mandato, em 1999. Com sua equipe de trabalho estabeleceu metas, conferiu prioridades e investiu fortes nas áreas portuária, rodoviária, aeroviária e de recurso hídrico. A estratégia de investir em infra-estrutura para transformar Pernambuco em um importante pólo de atração industrial, comercial, tecnológico e de serviço demonstrou o acerto das medidas governamentais.
Suape foi modernizado tornando-se realmente um complexo industrial-portuário, que no mapa do desenvolvimento pontifica como a grande força motriz da economia pernambucana. Duplicada e recuperada no trecho Recife-Caruaru, e agora, Caruaru-São Caetano, este último trecho com a obra iniciada no mês passado, a BR-232 desponta como a maior logística rodoviária do Estado, interiorizando o desenvolvimento econômico e social e promovendo o escoamento da produção para a capital e para os portos de Suape e Recife. O Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, que entrou em operação experimental no mês passado é hoje o mais moderno aeroporto do Nordeste e um dos melhores do País.
Outro elo vital na composição básica da infra-estrutura é o abastecimento d'água para a população e seu suprimento para as atividades produtivas, notadamente o setor industrial. O programa Águas de Pernambuco, com mais de 200 obras concluídas ou em andamento em todos os cantos do Estado, beneficia atualmente três milhões de pessoas. Com investimentos de mais de R$ 400 milhões, o Águas de Pernambuco é o maior programa de obras hídricas que um governo realiza neste Estado.
Assim, com essa infra-estrutura pronta, funcionando, e Suape com o complexo industrial-portuário dinamizado, Pernambuco criou o cenário adequado não apenas para atrair um grande projeto industrial, mas um megaprojeto. Bem melhor: um cluster inteiro chamado Estaleiro da Camargo Correia. Como uma mão espalmada, os dedos indicando as várias direções, o estaleiro vai apontando as suas necessidades que, na prática significa o surgimento de novas indústrias e expansão de linha de produção de plantas industriais aqui existentes. É uma cadeia produtiva que se revela nas áreas de estruturas metálicas, pintura e tratamento de superfícies, usinagem, calderaria, metalurgia, tubulações, formação de mão-de-obra especializada com expansão do emprego também na área do saber e conhecimento, em especial nos campos da ciência e tecnologia. Abre espaços, ainda, no Senai para capacitartrabalhadores e na Universidade Federal de Pernambuco e Universidade de Pernambuco, para a geração de profissionais em nível superior.
Ao inserir Pernambuco na rota da economia mundial, com a produção de navios e plataformas de petróleo, negócios bilionários, que registraram no ano passado um montante de US$ 73 bilhões e no próximo ano chegará a US$ 81 bilhões, o estaleiro traz ainda mais um bem valioso que não tem preço: a auto-estima do povo pernambucano, tão importante como os 30 mil empregos diretos e indiretos que serão gerados no nosso Estado, e um faturamento anual previsto em R$ 1 bilhão. Nunca se viu tanto orgulho no povo, desde o homem simples aos empresários, políticos, formadores de opinião, sindicalistas, religiosos. Enfim, a sociedade civil organizada em seus mais diversos segmentos.
Um novo papel dos pediatras
Aníbal Gaudêncio - COORDENADOR DA URGÊNCIA PEDIÁTRICA DA UNIMED RECIFE
Vivemos um mundo de contrastes e de contradições, onde observamos que o nascer e o viver não são iguais para todas as crianças. O que vemos hoje é o mundo da infância ser invadido pela injustiça, pela doença, pela violência, pela morte.
Ser pediatra, é muito mais que cuidar da saúde das crianças e adolescentes. É chegada a hora de nós médicos e, principalmente, nós pediatras, assumirmos compromissos de responsabilidade social. Não podemos e nem devemos ser omissos.
Inúmeras questões dependem do nosso envolvimento, não somente como cidadão, mas e principalmente como médicos, como por exemplo, a questão da violência contra as crianças e adolescentes. É preciso desmistificar a idéia da criança como cidadã do futuro. A criança é no hoje, no aqui e no agora, cidadã plena de direitos. Só que estamos em falta com ela.
Sabemos tratar diarréias, pneumonias, meningites, mas estamos nos omitindo sobre a epidemia na qual crianças e adolescentes são atores e vítimas, epidemia esta que mata e seqüela, que é a violência. Como diz a canção de Geraldo Vandré, hino de uma geração: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
Estatisticamente, cada criança que morre vítima de maus tratos já passou por mais de 5 atendimentos em salas de urgência/emergência pela mesma causa, quando o diagnóstico e o tratamento poderiam ter evitado sua morte. De cada 10 casos de espancamento, 8 são cometidos por algum integrante da família. De cada 10 casos de abuso sexual, 7 a 8 são cometidos por parentes próximos.O pai e o padrasto estão presentes na maioria dos crimes sexuais.
Na sua grande maioria, os profissionais de saúde ainda entendem que a violência diz respeito somente à esfera da Segurança Pública e da Justiça e que não diz respeito à assistência médica. Não faz parte ainda da formação do profissional de saúde colocar a violência como possibilidade de diagnóstico no seu dia a dia de trabalho, principalmente aqueles que trabalham nos grandes serviços de urgência e emergência.
Alguns dados merecem uma pronta reflexão: estima-se que os casos notificados de maus tratos representam apenas 10% dos casos totais. Cerca de 10% das crianças atendidas em serviços de urgência/emergência por trauma são vítimas de maus tratos. Sem ajuda posterior, 5% delas, provavelmente morrerão em mãos dos agressores.
O profissional de saúde, em sua prática diária, muitas vezes deixa de diagnosticar os casos de violência contra crianças e adolescentes, seja porque não foi treinado para tal, não estando conscientizado e nem atento para a ocorrência desses casos. Por outro lado, o médico pode perceber que, por detrás da queixa apresentada, pode existir indícios de violência, mas que ele acredita que não deve intervir, sob a alegação de não se tratar de um problema de saúde.
Daí a importância do profissional de saúde, em particular o pediatra, por razões óbvias, estar conscientizado e sensibilizado para a realidade desse grave problema. Quando a suspeita de maus tratos não ocorre, o diagnóstico fatalmente pode estar equivocado e, conseqüentemente, toda a conduta. Mesmo que o atendimento terapêutico possa ter sido garantido pelo médico, quando não se detecta a violência, esta, com certeza, deverá repetir-se, perpetuando o ciclo da violência.
O Estatuto da Criança e do Adolescente - lei nº 8069 de 13 de julho de 1990 - no seu artigo nº 245 está bem claro: "Deixar o médico de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus tratos contra criança ou adolescente: Multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência".
A Unimed Recife e a Urgência Pediátrica, cientes do papel que devem exercer como co-responsáveis por esse sentimento de responsabilidade social em conjunto com o Núcleo de Estudos de Violência e Trauma do Hospital da Restauração, com a Sociedade de Pediatria, Cremepe e a Universidade Federal, lançarão, nos próximos dias, uma campanha de real responsabilidade: a Campanha de Desarmamento Infantil.
A conscientização de cada um de nós, pai, mãe, médico ou não, além de salvar a vida de muitas crianças e adolescentes, contribuirá para uma cultura da não-violência e na formação de uma geração de cidadãos.
Termino este artigo para o DIARIO DE PERNAMBUCO, chamando a atenção dos pediatras, realçando a importância da nossa querida especialidade, usando, como correlação, uma frase célebre da Madre Teresa de Calcutá: O nosso trabalho, como pediatra, é como uma gota d'água em relação ao oceano, mas sem ele, o oceano seria bem menor".
As medalhas do Brasil
Diógenes Ramos de Oliveira - SOCIÓLOGO E INTEGRANTE DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA AIP
Desde que me entendo de gente, acompanho atentamente os jogos olímpicos, principalmente as aberturas. Lembro-me de ter assistido aos jogos de Munique em 72, Montreal em 76, Los Angeles em 84, Seul em 88, Barcelona em 92, Atlanta em 96, Sydney em 2000.
Sediar Olimpíadas é um empreendimento grandioso e que possibilita, ao país-sede, retornos significativos em todos os aspectos. O Brasil tenta sediar Olimpíadas há mais de 72 anos.O Comitê Olímpico sempre apontou a falta de infra-estrutura e ultimamente a insegurança. A disputa para os próximos jogos está entre Paris, Nova York, Londres, Moscou e Madri. Assistimos recentemente aos jogos de Atenas, jogos da Era Moderna. Foi um show de tecnologia jamais visto. Os gregos proporcionaram ao mundo um espetáculo que vai entrar na história. Mais de 70 mil pessoas no estádio,
Oito mil performistas, 2.428 figurantes, 2 mil artistas e outros milhares de voluntários fizeram parte do banquete das 28Olimpíadas. A história grega foi contada através de estátuas humanas, raio laser e outros tecnológicos. Foram 202 países participando da maior festa esportiva do planeta, com mais de 300 canais de Tvs plugados na cerimônia. A cenografia e os figurinos estavam simplesmente espetaculares. Alguns toques de emoção também fizeram parte da festa, iniciando quando uma mulher grávida, com sua preponderância iluminada, apontou o futuro promissor para a humanidade, um garoto, que, com a bandeira grega em punho, arreda-se de seu barquinho e vai ao encontro do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, da presidente do Comitê Organizador dos Jogos, Gianna Angelopoulos, e do presidente da Grécia. O desfile de dois atletas coreanos, um do norte e outro do sul, de mãos dadas, numa demonstração explícita de paz entre os dois países irmãos.
Uma das maiores surpresas da festa foi a saudação dos astronautas russo e americano, da Estação Espacial Internacional - MIR, a bordo de um Soyuz, a 363 quilômetros acima do solo e, finalmente, o clímax do ritual da cerimônia protagonizado pelo iatista grego Nicolaus Kaklamanakis que acendeu a pira olímpica. Abrem-se as cortinas dos jogos de Atenas. O Brasil bem representado por 246 atletas, buscando 159 condecorações. Conseguimos medalha de ouro com a dupla de vôlei masculino Ricardo e Emanuel; medalha de ouro para a equipe de vela, Torben Grael e Marcelo Ferreira; medalha de ouro para o iatismo, classe laser, com Robert Scheidt; medalha de ouro para o vôlei masculino de Bernardinho; medalha de prata com a dupla de vôlei feminino Adriana Behar e Shelda; medalha de prata (dourada) para o futebol feminino; medalha de bronze com judô masculino; medalha de prata para o hipismo com o cavaleiro Rodrigo Pessoa; espetacular medalha de bronze, com "sabor" de ouro, para o maratonista Wanderley Cordeiro, com direito à comenda Barão Pierre de Coubertin, pelo incidente no percurso. Poderíamos ter chegado numa posição melhor se tivéssemos as medalhas de Daiane dosSantos, na ginástica artística, Gustavo Borges e Fernando Scherer (Xuxa) na natação, e com a nossa Joana Maranhão. No tênis com Gustavo Kuerten e Flávio Saretta. Ricardo Winicki (Bimba), que precisava ficar na terceira colocação na Regata Mistral para chegar ao ouro, alcançou apenas o 17º lugar. Eles também são "povo heróico, bravo, retumbante".
Reconhecemos que as dificuldades financeiras para os atletas que fazem esportes populares são grandes: atletas humildes, que investem do seu próprio bolso, treinam descalços, tênis furados, sapatos menores do que os pés, como alguns atletas do atletismo, do taekendow, treinando no chão batido, numa amostra de ausência de uma política governamental que invista na formação de atleta olímpico. Mesmo assim, esta foi a melhor posição olímpica. Ficamos na 18classificação. Por outro lado, o Brasil é, disparado, medalha de ouro em outras modalidades: fome, mais de 23 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, igualando-se a países como Botsuana, República Dominicana, Mauritânia e Guiné. Somos, porém, ricos com ma significativa taxa de pobreza.
A isso podemos chamar de injustiça social. Na pirataria, o Brasil é o 4º mercado consumidor dos produtos, gerando prejuízo de mais de 30 bilhões de reais aos cofres da União; evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, remessa ilegal para o exterior, envolvendo empresários e políticos; concessão de status de ministro de Estado ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; rombo da Previdência em mais de R$ 70 milhões; indicadores de violência superando recordes históricos. Empresário chinês Law Kin Chon preso recentemente em São Paulo -, proprietário de fábricas de produtos piratas em Manaus e na China, dono de uma cadeia de 600 lojas no centro de São Paulo, que gastava 10% com propinas a fiscais e policiais e tinha uma rede de proteção com mais de 200 funcionários públicos.
Nossa expectativa é de que este nosso Brasil melhore e muito para subir ao pódio, se não das Olimpíadas, mas da ética, da honestidade e da solidariedade...
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