MOSCOU - Mais de 340 pessoas morreram na sexta-feira no desfecho trágico da tomada de reféns na escola de Beslan, na república russa da Ossétia do Norte, informou ontem o procurador-geral da Rússia, Serguei Fridinski. Entre os mortos há 155 crianças e 26 terroristas. Um balanço dos funcionários dos hospitais da região indica que pelo menos 531 pessoas foram hospitalizadas, das quais 336 são crianças. O seqüestro durou 62 horas.
A maioria dos mortos estava no ginásio, disseram funcionários do governo ossétio. Morreram pelas explosões que fizeram o teto desabar, no incêncio que se seguiu, pela detonação das minas espalhadas pelos terroristas, executados ou no fogo cruzado entre as forças de segurança e os rebeldes. Na manhã de ontem os especialistas em desativação de explosivos ainda não haviam conseguido remover todos os artefatos, por isso muitos cadáveres ainda estavam espalhados entre os destroços.
Num discurso à nação, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou ontem medidas de reforço da segurança e disse que a Rússia é alvo de "uma guerra internacional do terror". Ele anunciou que as forças de segurança agirão com mais vigor no combate ao terror e afirmou que tomará medidas para fortalecer a integridade territorial da Rússia, criar um sistema mais eficiente de gerenciamento de crises e reformar os órgãos de segurança.
Dezenas de pessoas se aglomeravam ontem diante das listas de sobreviventes divulgadas pelo hospital de Beslan, em busca dos nomes de seus parentes desaparecidos. O enorme número de mortos numa cidade de 30 mil habitantes faz com que poucas famílias não tenham perdido um parente ou amigo ou tenha alguém internado nos hospitais locais ou da capital, Vladikavkaz.
Alguns demonstravam raiva do presidente do país. "Putin chegou aqui às 4 horas desta madrugada", disse Boris, cujo vizinho e toda a família desapareceram. "Ele não viu ninguém nem falou com ninguém. Só queria mostrar para o mundo quão jovem e bonito ele é, mas não ajudou e não ajudará e não pode impedir que isto aconteça denovo." Putin visitou durante meia hora feridos no hospital de Belsan e se reuniu em sguida com líderes regionais. Depois, regressou a Moscou.
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