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Edição de Domingo, 5 de Setembro de 2004 
Domingo | Tocando a vida de outra forma
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Domingo
Tocando a vida de outra forma
Fred Figueiroa
Da equipe do DIARIO
Para ficar famoso; para gravar um disco; para tocar num estádio lotado; para aparecer numa propaganda de refrigerante; para mudar o mundo; ou apenas para impressionar uma garota. Não importa a razão, mas a verdade é que não são poucos os que sempre quiseram ter uma banda de rock and roll. Esse é um desejo ainda mais comum na adolescência, quando todos os ideais ainda fazem sentido e todos os sonhos ainda são possíveis. Porém, entre ter a primeira guitarra elétrica e conseguir montar uma banda, construir uma carreira e viver de música, existe um verdadeiro universo de dificuldades.

  "Quando subi no palco pela 1ª vez, senti que começava a realizar um sonho. Ali, achava que era o primeiro de muitos shows, mas já acabou sendo o penúltimo", diz o publicitário Ricardo Fellipe, 25 anos, que desde criança sonhava tocar numa banda de rock e até que tentou bastante, mas não foi muito longe. A história dele é parecida com a de muitos que deixaram a guitarra e os sonhos no armário e seguiram tocando a vida de outraforma.

  "Para uma banda dar certo, é preciso abrir mão de muita coisa. Hoje não sei se queria estar vivendo de música, mas acho que não", confessa o publicitário, que ganhou o primeiro violão aos 10 anos; o primeiro teclado aos 12; a primeira guitarra aos 17 e há dois anos, ganhou o primeiro violino. Mas, se sobram instrumentos, sempre faltou os parceiros para montar uma banda. E se encontrar pessoas que tenham as mesmas idéias musicais já é complicado, conviver com elas, é mais difícil.

Garotas - Ticiano Gadelha, 20 anos, foi ainda mais insistente. Ele já tentou tocar cinco instrumentos e montou e desmontou umas dez bandas. O garoto começou aos 11 anos tocando teclado no coral do colégio, depois passou para o baixo elétrico numa banda punk, teve aulas de baixo acústico no conservatório pernambucano, entrou na onda do pop rock e vez por outra faz uns bicos em shows de música gospel. Na sua curta carreira de roqueiro, tocou em boates, aniversários de amigos e até numa conclusão de curso de adestramento decães da policia militar de Pernambuco.

  Por que as bandas nunca deram certo? Pelos mesmos motivos de sempre. "A banda de punk era muito ruim. Sonhávamos em tocar no Abril pro Rock, mas nunca conseguíamos nem tocar cinco músicas inteiras. Depois montei uma banda que se chamava TPM - Tesão por Mulher - mas entrou uma guitarrista e tivermos que trocar o nome para Tesão por Música. Só que o grupo acabou porque comecei a namorar a irmã do vocalista", diverte-se Ticiano, que hoje dedica-se ao vestibular de medicina, mas não se arrepende de nada.: "Valeu pelas garotas e pela farra", completa.  
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