-O meu celular também é uma câmera digital que transmite as fotografias para qualquer lugar do mundo. Tem calculadora e mini impressora, dá o horário das marés e o resumo das novelas e acho que faz cafezinho. Alem de receber e transmitir chamadas telefônicas, claro.
- Tem High-Definition Jet Systematizer Inter-face Board?
- Tem. Não. Não sei. Será esta tecla?
- Não! Isso é o raio laser. Só use no caso de um ataque de extra-terrestres.
- Você está brincando?
- Estou. Também inventei esse High-Systematization Inter-board High Jet Face, que não existe. Pelo menos, até onde eu saiba. Na verdade não entendo nada de celular.
- Então entende mais do que eu.
- Só sei que eles estão ficando poderosos demais. Não há o que não façam. E quem sabe como?
- Eu não. Estava recém começando a entender o telefone comum...
- Teclado ou disco?
- Disco!
- Quer saber de uma coisa? Eu ainda não entendi rádio. Televisão eu nem tentei.
- Eu nunca entendi rádio. Esse negócio de ondas sonoras que se propagam pelo ar. Pode?
- Pois eu vou contar uma coisa.
- Conte.
- Eu nunca entendi fechadura.
- E torneira? O que você me diz de torneira?
- Impossível. Um mistério. Outra coisa: tesoura.
- Não. Espera aí. Tesoura eu sei como funciona.
- Sabe?
- Tesoura eu saquei. Pelo menos o princípio da coisa, eu sei. Em termos leigos, claros.
- Que barulho é esse? Um "Psst" eletrônico.
- É o meu celular me chamando. Tem um recado na telinha.
- O que ele quer?
- Está me chamando de obsoleto. Não quer ficar comigo. Quer me trocar por outro dono, mais atualizado!
- Epa. Acho que o meu também está me chamando, para me xingar.
- Eu sabia que, cedo ou tarde, isso ia acontecer.
- O que?
- Ele iam ficar arrogantes.
Palestra - A Zenilca de Navarro trabalhava com o balê Corpo, de Belo Horizonte, largou tudo e, levada pela filha Ana, foi morar em Tiradentes, onde abriu um restaurante chamado "Tragaluz" e promove visitas de artistas e escritores à cidade. A seu convite fomos conhecer a bela Tiradentes, com a Lúcia e o Roberto Riff, e nos hospedamos no magnifico Solar da Ponte. Em troca de tanta simpatia, fiz uma palestra. No meio da qual, respondendo a uma pergunta da platéia, me declarei um agnóstico. Pra que. Todos respeitaram minha posição, mas Deus não foi tão esportivo. Logo depois da palestra, perdi a voz! Esqueci que estava numa das suas terras preferidas.
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