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Edição de Terça-Feira, 31 de Agosto de 2004 
Viver | Jóia rara da discografia mundial
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VIVER
Jóia rara da discografia mundial
Trama relança, 30 anos depois, o clássico Elis & Tom, que chega às lojas acrescido de um DVD áudio
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
Um presente dado há trinta anos para uma das maiores intérpretes da música brasileira foi reeditado para que possa ser oferecido a outras pessoas, mais do que já foi ao longo do seu percurso. Trata-se do clássico Elis & Tom, LP lançado em 1974, pela gravadora Philips, atual Universal, que chegou a lançar a obra em CD. Naquele ano a Philips oferecera um presente a Elis Regina, que estava completando dez anos na gravadora. Um carro ou qualquer outra coisa. Ela quis gravar um disco com Tom Jobim. Em 1971, já havia gravado Águas de Março. Tom era um ídolo para ela e a oportunidade estava ali, era preciso no entanto ir ao seu encontro, já que ele estava passando temporada em Los Angeles (EUA). O presente sairia muito caro, mas foi dado. Entre 22 de fevereiro e 9 de março daquele mesmo ano, uma seleção de canções que integrariam um dos álbuns mais luxuosos e atemporal da MPB seria gravado. E, trinta anos depois, reeditado. Desta vez, como um presente da gravadora Trama para os fãs de Elis & Tom da nova geração.

  Aedição especial do clássico foi uma sugestão da própria Trama, que tem como presidente João Marcelo Bôscoli, filho da diva. O músico e produtor César Camargo Mariano, casado com Elis na época da gravação, também decidiu junto com a gravadora sobre este relançamento, que chega acrescido de um DVD Áudio, com imagens sem movimento. Numa entrevista encaminhada à imprensa de todo País, César Camargo, que arranjou algumas canções e acompanhou todo processo da gravação original - inclusive todo estresse com Tom Jobim por sua, digamos, barreira em aceitar certas invenções de arranjos, baixo elétrico, etc - diz que quando recebeu o convite da Trama topou já prevendo a atmosfera que o CD deveria ter, ou resgatar.

  "Tínhamos que recuperar aquele som, do estúdio, daquele dia, o pezinho dele batendo no chão, os finais de música, as conversas, o ambiente, o som do ar do estúdio, isso tudo, essa atmosfera era muito importante", diz César Camargo que, de fato, conseguiu transmitir um pouco daquele ambiente para a época atual. Na audição é possível ouvir até os respiros de Elis, pontuando as frases, revelando uma das técnicas de uma interpretação impecável. Não se mexeu em praticamente nada. Após a recuperação do taipe original, que estava em processo de degradação, houve a sua digitalização por inteiro, gravada no programa Pro-Tools.

Fidelidade - Segundo revela César Camargo Mariano, o nível tecnológico daquele estúdio em Los Angeles era impressionante para os padrões da época. A diferença para um ouvido mais atento (no site trama.com.br é possível ouvir a gravação original e compará-la a nova, remasterizada) está na distribuição esteriofônica. Valorização dos graves e agudos. "A voz salta, ficou como se estivesse acabado de tocar, os instrumentos também", diz o arranjador, que tem até hoje na cabeça a geografia do estúdio e repassou a planta baixa da sala, com o posicionamento dos instrumentos, para o engenheiro de mixagem Luis Paulo Serafim. "O padrão de esteriofônico mudou, e a gente fez isso. Baixo no centro, voz no centro... Uma tridimencionalidade suave, só isso que difere do original", diz César Camargo.

  As quatorze faixas originais estão lá para garantir: Águas de Março, Pois É, Só Tinha de Ser com Você, Modinha, Triste, Corcovado, O que Tinha de Ser, Retrato em Branco e Preto, Brigas Nunca Mais, Por Toda a Minha Vida, Fotografia, Soneto de Separação e Chovendo na Roseira. A maioria do próprio Jobim, algumas em parceira com Vinícius de Moraes e uma com Chico Buarque. O relançamento de uma preciosidade da indústria fonográfica internacional consagra a importância do estilo bossa nova não só para a formação de diversos grupos, composições e vocais brasileiros, como mundiais.

  Para César Camargo, este foi um dos álbuns que mais teve repercussão fora do País. "É pena que não dê para medir isso oficialmente, o Tom sempre soube da força desse álbum", conta ele, para quem a bossa nova mudou o jazz. "Existe um segmento de jazzistas novos que cantam assim por conta da bossa nova, mas não tínhamos nem idéia que esse projeto iria se tornar histórico", revela.

Serviço

Elis & Tom

Trama

R$ 50,00 (em média)

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