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Edição de Terça-Feira, 31 de Agosto de 2004 
Viagem | Cuba
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Cuba
Vestidos a caráter, locais de Havana engordam o caixa caseiro com os turistas
Inúmeros praticantes da religião sincretista afro-cubana, conhecidos como santeros, atraem a atenção de centenas de turistas que estão visitando Havana Velha, e com eles tiram fotos para ganhar alguns dólares "para continuar vivendo". Rosa Esther Castro, uma negra de 65 anos, completamente vestida de branco e com todos os adereços próprios de sua religião, disse que se sente "muito contente" com o trabalho que realiza. "Estou há três anos neste trabalho, e, graças a ele, pude comprar de tudo para minha casa, comprar roupa e comer", diz Rosa Esther, hoje aposentada do setor de saúde.

Com um charuto apagado em uma das mãos para a foto posada e outro aceso, exalando o aroma de tabaco, Rosa Esther assegura que não é incomodada pelo estado. "Embora ninguém me autorize oficialmente a sentar aqui todos os dias para fazer meu trabalho, ninguém também me tirou, por isso não me exigem nenhum imposto". Ela diz que inicia o "trabalho" a partir das 10h até aproximadamente 17h, período em que tira várias fotos com turistas estrangeiros.

"Eu não cobro nada para tirar fotos com eles. Mas em geral me dão um dólar. Graças a isso posso sobreviver sem nenhum problema", explica. "Fico muito orgulhosa do que faço, pois a imagem desta velha santera já passeou por meio mundo", disse Rosa Esther, com ares de satisfação. Paulina Fiol, de 70, também se dedica ao mesmo ofício, com um charuto de lado na boca e também vestida de branco com inúmeros colares de cores variadas. Ela conta ter tirado fotos com "muitíssimos turistas estrangeiros". Crecencia López, de 65 anos, vestida de azul da cabeça aos pés e igualmente com vários colares, parece ser umas das mais novatas, com apenas seis meses no trabalho.

Outro caso curioso é o de Reinaldo Hernández, um santero de 49, que joga búzios para os turistas em plena rua. Ele garante adivinhar "o passado, o presente e o futuro" dos visitantes. "Eu tenho esse dom. Até agora, turistas de Chile, México, Colômbia, Venezuela, Espanha, França e Itália, entre outros países, saíram satisfeitos com minhas previsões", afirma Hernández, todo vestido de branco. "Dos cubanos, cobro um peso e cinco centavos em moeda nacional (cinco centavos de dólar) porque assim estabelece minha religião. Mas aos turistas de fora peço um dólar pela consulta", explica o adivinho. "Não posso me queixar dos resultados financeiros que obtenho. Pelo menos me garantem o dia-a-dia", comenta.

O turismo se transformou há cerca de 10 anos na principal fonte de divisas e o setor mais dinâmico da economia de Cuba. Em 2003, chegaram à ilha caribenha 1,9 milhão de turistas. Para este ano, as previsões do setor apontam para mais de 2 milhões de visitantes. Segundo dados oficiais, o crescimento no ano passado foi de 13,02% se comparado com 2002. Os principais mercados são Canadá, Itália, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido e México. O centro histórico de Havana, um dos lugares mais visitados pelos turistas, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 1982. (Da equipe do Estado de Minas)

Serviço

Gasto médio Segundo o guia "O Mundo é um Barato", de Jorge de Souza, o gasto médio de um casal, fora de pacotes turísticos é de US$ 130/dia, com hospedagem, comida e passeios.

Na internet - www.cubanacan.cu / www3.cuba.cu / www.cubatrip.com

Carros antigos

Havana tem muito mais curiosidades pelas ruas do que os santeros. Uma delas é a enorme quantidade de carros antigos, da década de 40 e 50 das marcas Ford, General Motors e Chrysler, entre outros. Circulam graças à engenhosidade dos cubanos, que se esmeram em adaptar ou fabricar artesanalmente as peças que se estragam. Representam 10% da frota e são preciosidades que integram o já chamado Museu sobre rodas.

Charutos

As fábricas de charuto empregam milhares de pessoas no país, e o produto é considerado o melhor do mundo. Tanto que é quase um sacrilégio sair de lá sem comprar uma caixa para os amigos. Mas uma dica de quem já esteve lá é escapar dos vendedores nas ruas. Prefira as lojas e peça nota fiscal, para não ter problemas no embarque de volta.

Malecón

O pôr-do-sol no Malecón, um boulevard voltado para o oceano Atlântico é algo imperdível para quem vai a Havana. Cenário de vários livros, como os de Juan Pedro Cabalero, é um lugar de paquera, azaração, mas também de manifestações políticas. Está na alma do povo cubano.

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