Tido como modelo no Mundo, o programa de prevenção e controle da Aids no Brasil deve concentrar seus esforços em duas frentes no próximo ano: o desenvolvimento de campanhas direcionadas a público específicos e a produção em massa de novos medicamentos anti-retrovirais. A projeção foi feita ontem pelo coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, que está no Recife para acompanhar o V Congresso Brasileiro de Prevenção em Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids e o V Congresso Nacional de DST's.
Para Chequer, que admitiu a necessidade de ações mais efetivas na área, os resultados das campanhas obtidos até agora têm tido o efeito esperado, mas não são suficientes para conter a epidemia de Aids que, de acordo com as projeções do Ministério da Saúde, já atinge 650 mil brasileiros.
Com relação à política de distribuição de medicamentos para os portadores da Aids, Chequer salientou que não se compreende o fato de boa parte dos Estados do Nordeste não oferecerem compartilhamento pactuado com o Ministério para a compra dos remédios. "Se está havendo problemas no fornecimento de medicamentos, isso se deve a uma questão operacional local", justificou.
Além de avaliar a situação atual da área no País, o coordenador do programa também anunciou que, a partir do próximo ano, a Fiocruz vai produzir os kits para a realização do teste rápido e do exame de carga viral, que atualmente são importados. Isto, segundo ele, vai significar a auto-suficiência do País. Outra novidade adiantada por Chequer é a mudança nos parâmetros dos estudos epidemiológicos sobre a Aids no Brasil. "Os estudos que temos até hoje são sobre a prevalência, mas agora avaliaremos a incidência da doença, o que vai nos permitir analisar a sua progressão".
Campanha - Um dos principais grupos de risco para a Aids, adolescentes gays são o principal alvo de uma campanha inédita no Brasil lançada ontem pelo diretor adjunto do Programa Nacional de DST/Aids, Raldo Bonifácio, durante o congresso. Estruturada sob a forma de um programa de rádio, acampanha pretende quebrar preconceitos relativos à homossexualidade entre os adolescentes e incentivar a necessidade do uso do preservativo. "Já temos campanhas de prevenção direcionadas a mulheres, homens, profissionais do sexo, usuários de drogas, gestantes, adolescentes e homossexuais, mas faltava atingir essa parcela específica da população", completou.
No kit criado para ser distribuído a ONG's, entidades sociais e coordenações locais que trabalham com o público-alvo da campanha estão uma camisinha e um mini-CD com o programa gravado. Nele, a apresentadora da MTV Penélope Nova entrevista uma psicóloga e uma professora sobre questões relacionadas à diversidade e ao preconceito. Os kits - 200 mil ao todos - começam a ser distribuídos na próxima semana.
Até dezembro de 2003 havia 6.566 casos de Aids notificados na faixa etária entre 13 e 19 anos no Brasil, sendo 2.559 em mulheres e 4.007 em homens. Entre os adolescentes do sexo masculino, as relações homossexuais e bissexuais são responsáveis por 25% desse total, enquanto as transmissões por exposição heterossexual respondem por 13% dos casos.
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