Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Edição de Terça-Feira, 31 de Agosto de 2004 
Home | Diario | Opinião
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Domingo
   Interior
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde
   Diarinho

    SERVIÇOS

   Loterias

Opinião
Opinião
As Olimpíadas

Diz o Ministro Agnelo Queiroz, da Pasta dos Esportes, que a atuação brasileira nas últimas Olimpíadas não foi melhor "porque saímos com cem anos de atraso", em relação às potências olímpicas. É dessas afirmações que, para se validarem como verdadeiras, não precisam de muita ciência como reforço, bastando ver e apreciar. É dele, também, a frase segundo a qual "uma potência olímpica não nasce da noite para o dia, constrói-se na escola e é fruto de uma política de Estado, mediante planejamento voltado para milhares de pessoas e, não, para uma parcela da população apenas".

  Coisas sensatas com cem anos de atraso. Só há poucos anos o país e respectivo governo, com certa adesão popular, estabeleceram um fluxo regular de recursos federais para apoio às atividades esportivas, com a aprovação da Lei Piva, que manda distribuir, com as organizações dedicadas ao esporte, recursos originários das loterias esportivas. Mas foi só, ficando todo o enorme resto a depender da aptidão dos dirigentes desportivos e do entusiasmo de duas ou três centenas de atletas.

  Tenha-se em mira o potencial brasileiro, e logo se concluirá que nove ou dez medalhas ganhas na terra e no mar atenienses não gloriam de fato a ninguém que tenha nascido neste chão generoso do Brasil. Foram mais medalhas de ouro que em Olimpíadas anteriores, é certo, porém, ficar em 18º lugar na lista dos países disputantes, quando a pequena Cuba alcança a 11ªcolocação com 27 lauréis, sendo 9 de ouro, vale como testemunho de que fizemos pouco e, não, muito quanto autoriza imaginar o entusiasmo passageiro. É exato que chegamos à frente de países pujantes do ponto de vista do esporte, a exemplo da Suécia, Espanha, Canadá, Polônia e Áustria, mas nenhum deles possui sequer a metade do potencial brasileiro. E ficamos atrás das pequeninas Holanda, Grécia, Noruega, Romênia e Hungria.

  Tudo indica, entretanto, que aprendemos a dura lição que as disputas olímpicas nos ensinam. Já agora, quando nem chegaram de volta ao país todos os atletas, começamos a preparação para os próximos jogos, em Pequim. O Ministro Agnelo Queiroz anuncia, já para o próximo dia 5 de setembro, o lançamento da Política Nacional da Descoberta de Talentos (esportivos), no curso do qual vão ser examinados o potencial e aptidão de 2 milhões de estudantes até o final deste ano. Se os especialistas estão certos, ao menos 2% daquele número serão em princípio aproveitados, isto é, espera-se que até o final deste ano estejam identificados 40 mil novos talentos para o subseqüente aperfeiçoamento. No bojo dessa política, e selecionados os talentos entre a massa jovem brasileira, distribuir-se-ão as Bolsas do Atleta que irão variar entre R$ 300,00 a R$ 2.500,00 mensais. São basicamente dois os objetivos para Pequim/2008: elevar o número dos atletas aptos às Olimpíadas, ou seja, dos que alcançam o índice mínimo exigido, e comparecer ao maior número das finais em pistas, quadras, piscinas, tablados e mesas e campos de jogos. Já será enorme o programado salto.

  Para além dos desempenhos memoráveis e da autocrítica restauradora,

cumpre-nos registrar: o Brasil deu em Atenas testemunho inequívoco do

espírito olímpico de sua gente, na pessoa do maratonista Vanderlei C. de Lima. Deslocado brutalmente do pódio a seu alcance, recebeu o simples bronze em

lugar do merecido ouro e, contudo, manteve-se livre de amarguras, feliz apenas

por ter chegado ao final da longa e sofrida prova, a mais representativa do

evento. Mais que o ouro, ganhou só ele a medalha "Pierre de Coubertin".


Tom sur tons

Marcos Vinicios Vilaça
INTEGRANTE DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Marcantonio teria feito no dia 30 último, 42 anos. Taciana Cecília, Mendonça Filho, José, Ilanna, Vinicius, Rodrigo Otaviano, Larissa, Otaviano e até Enrico - que chegará em dezembro - juntos com Carmo, todos sabemos, haver em nós uma tristeza que as palavras não podem dizer.

  Ledo Ivo, poeta maior, diz num verso verdadeiro:

  "A morte reúne partida e chegada".

  É isto mesmo.

  Tal como Marcantonio, temos horror aos profetas do passado. Tal como ele, temos curiosidade em relação ao infinito. Estamos prontos a esse parternariado.

  Assim é que a tristeza recebe combate diário pelo tanto que o seu nome se tem alongado e pelo tanto que sabemos ainda se espichará no infinito do tempo. Só há um encompridamento semelhante, é o de se reconhecer a extensão e a qualidade do seu trabalho.

  Marcantonio tinha um olhar ético, do ponto de vista da cidadania, e um olhar estético, no plano das artes, por se ter auto convidado, no que toca ao cívico e no que diz respeito à criação artística, a distinguir o preto do branco.

Não se prendeu às fábricas da ilusão, nem às empresas da desilusão. Foi formador de opinião. Tinha olho de águia.

  Dan Cameron, o grande crítico de arte e curador do New Museum, de Nova York, reconheceu que a grande obra da coleção que reuniu era a alma dele, espécie de carteira de identidade do que foi e do que fez. É de Cameron esta declaração:

  "Se não for por outra razão que não seja a de fornecer um exemplo de como uma pessoa sozinha pode, com o tempo, ajudar a trocar a direção do gosto internacional, sua coleção tem um valor específico, que agora pode ser compartilhado através de gerações e culturas".

  Acima de tudo isto, há um patrimônio imaterial. O nobre curriculum dele, que se comunica pelo exemplo inteligente, lúcido, audaz, obsessivamente honesto; pela paixão futurante, algo considerado como que uma espécie de sacralidade.

  Talvez poucos ainda não tenham se dado conta de sua medida, que não se mede por régua e compasso. Enfim, é assim mesmo. No entanto, vale a pena não nos transformarmos em pernambucocéticos, se é que os desconhecedores sejam daqui.

  A família se, de um lado, afivela-se na saudade, do outro, rejeita cortinar as lágrimas. Juntou todo esse delíquio da alma para o testemunho da sua presença em continuado crescente.

  Marcantonio viveu pouco. Pouquíssimo. O poeta Carlos Nejar, meu colega de Academia, lamentou versejando: "Fica mais. Tão pouco / teu viver. Soberbo / o que foi teu. Força / é acordar o tempo / Que ele te conserve / cada vez mais verde / sob o céu e o campo / ......... / Tudo o que é humano / não quer pesar muito. / Fica mais um pouco."

  Viveu pouco, mas encontrou o que queria. Construiu o inesquecível. Sua vida foi um ato de constante semeadura. Até com a morte lançou vidas.

  Nós, à moda de Guimarães Rosa, tenteamos o ar sofrido da saudade, saudade das suas idéias, saudade do seu coração, vivendo sob a ressonância dessa desventura e o cilício dessas reminiscências.

  Marcantonio:

  Estamos juntos, admirando os diversos tons que você, TOM, nos legou. "Profeta das cores", você compreende bem como nos faz falta a alegria do seu afeto. Como nos faz falta o seu gosto sincero em dizer o que sentia, sem pôr algemas nas palavras. Como nos faz falta sua compreensão de que o amor é para o aconchego, não é para imposições. Como nos faz falta sua obsessiva admiração por Pernambuco, sua história, sua gente. Não se pode esquecer que quando decidiu montar uma galeria, foi aqui onde instalou a Pasárgada. Como é atroz sentir sua ausência em certas paisagens pernambucanas, tão do seu profundo bem querer, como o mar de Boa Viagem, as ladeiras de Olinda, o Alto do Moura, a Escolinha de Arte na rua do Cupim, a fazenda Santa Terezinha em Limoeiro, o mar de gente do Galo da Madrugada, as colinas dos Guararapes, a beira-rio do Capibaribe, o Mosteiro de São Bento sonorizado pelo canto gregoriano, sei lá mais o quê do muito que o encantava na sua terra. Era comum, com o riso irônico no canto da boca, dizer a quem duvidasse de nós: "Querem saber o que é Pernambuco? Comam um pedaço de bolo de rolo, experimentem mel de engenho com banana ou com queijo de coalho assado. Depois, me digam se é possível resistir a Pernambuco".

  Vimos, Carmo e eu, escrito numa cruz do mosteiro franciscano, de Toledo, na Espanha: "Tudo é ilusão, menos a morte". Em seguida, um monge pregava, citando o Evangelho de João: "Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá...".

  Sabemos que é assim.

  Eu também sei: para ele o pai era "imortal", mas a mãe é que era eterna. Por isso, não temos forças para dizer da sua partida, valemo-nos da força da poesia.

  Versos de Sophia Breyner parecem feitos para a despedida entre os pais e ele, mal o ano de 2000 registrava suas primeiras horas:

  "Trazias contigo um certo ar de capitão de tempestades / - Grandioso vencedor e tão amargo vencido - / E havia avidez, azáfama e pressa / No desejo de suprir anos de distância em horas de conversa / E havia uma veemente emoção em tua grave amizade / E em redor da mesa celebrávamos a festa / Do instante que brilhava entre frutos e rostos".

  Não é justo perder a esperança numa gente sintonizada com as manhãs de criação.

  Empresários se reúnem e resolvem criar uma premiação para contemplar artistas plásticos.

  Deixam de lado linhas de produção e optam pela produção artística. Esquecem, por horas, horas de trabalho e preferem ver horas sem fim que se expõem nas obras de arte, refletindo os olhos de quem as vê.

  Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, é o principal responsável. Fez o "Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça". Buscou o cardinalato da curadoria, da museologia, da crítica de arte, deu-lhes forçaS para conduzir soberanamente o processo de seleção e julgamento de concorrentes do Brasil e do Exterior, quase um milhar. Criou, no gênero, o maior Prêmio do País. Aliou os calos vitoriosos da indústria aos da arte.

  O Prêmio tornou-se uma nova instância no cenário institucional das artes plásticas no Brasil, distinguindo-o dos instrumentos de fomento já existentes. Foram selecionados artistas com pesquisas consistentes, valorizando, ainda, amultiplicidade das linguagens apresentadas. A seleção afirma-se, assim, como reflexo da complexidade da cena artística contemporânea no País.

  Fez com que se apontassem três dezenas de extraordinários artistas selecionados. Qualquer um poderia ser ganhador. A premiação contemplou apenas cinco. Mas aos olhos dos juÍzes são espécie de cinco vezes seis. Ninguém sabe qual é o maior: se o Prêmio, se os selecionados, se os premiados. Um valoriza o outro.

  A esses notáveis julgadores juntaram-se servidores e executivos contratados da CNI/Sesi, aplicados obstinadamente no alcance do sucesso desta noite. São vencedores, nomeadamente, Cláudia Ramalho, Celso Fioravante, para ficar em duas menções categóricas.

  Neste Teatro de Santa Isabel, travaram-se memoráveis batalhas cívico-políticas; disseram-se peças de teatro; dançou-se; cantou-se; tocou-se. Houve quem seduzisse poetas. Houve quem gritasse e as paredes ainda ecoam. "Aqui ganhamos a causa da abolição".

  É o cenário ideal para se ter fé no Brasil. Dá para se ter fé no Brasil.

  A trajetória de Pernambuco fortalece essa forma de crer. É uma história formatada em consciência, em gestos de conceder, sem ceder.

  John Lennon e Paul McCartney encerram a letra de um dos seus grandes sucessos perguntando assim:

  "Você ainda vai precisar de mim, me / alimentar, quando eu tiver sessenta e quatro anos?"

  Carmo e eu chegamos a mais de sessenta, não mais podemos perguntar ao filho se ele ainda precisa de nós, mas em noites com esta sabemos quem nos alimenta.


Avaliação e mérito pessoal

José Janguiê Bezerra Diniz
PRESIDENTE DO SIESPE E DIRETOR-GERAL DA FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU

Durante oito anos, as instituições particulares de Ensino Superior foram o bode expiatório do Ministério da Educação (MEC). Todo ano, uma prova testava o conhecimento dos alunos e quem recebia o ônus pelo mau desempenho eram os cursos, com um ranking estampado nas páginas dos jornais e revistas de todo o País. Inegável que existem faculdades com deficiências, mas, há, sobretudo, alunos com defasagens de aprendizado do Ensino Médio e Básico, a qual se reflete na formação universitária.

  O famigerado Provão foi extinto e, a partir desse ano, passa a vigorar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), sustentado por três pilares: avaliação das instituições, dos cursos e do desempenho dos estudantes. Este último será realizado através do Enade, que, em novembro, irá avaliar 13 áreas, sendo aplicado sobre uma amostragem de estudantes, sorteados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

  A exemplo do Provão, o Enade tem por objetivo avaliar os cursos e não os estudantes, mas com uma diferença: as provas serão aplicadas para alunos do primeiro e do último ano de cada graduação, avaliando assim o conhecimento que têm ao entrar na faculdade e o adquirido durante a formação.

  A situação melhorou, mas não é a ideal. Cabe às faculdades dar condições para o estudante disposto a aprender alcançar o objetivo, oferecendo uma boa estrutura física, um corpo docente capacitado, materiais didáticos atualizados, laboratórios, bibliotecas, para então dizer: Vai Carlos, ter sucesso na vida. É justo responsabilizar as instituições se Carlos resolver ser gauche?

  Apropriando-me das palavras de Ludwig Von Mises, um dos teóricos da Escola Austríaca, "a situação de vida de cada um depende de seus próprios feitos". Tudo o que se consegue conquistar é decorrente do que a ambição nos impele a ganhar. O resultado da avaliação do estudante deveria ser atribuído a este, assim como o resultado da avaliação de uma faculdade é fruto do desempenho e dos investimentos do dirigente.

  No mais, ao entrar em uma faculdade, os estudantes não são tabulas rasas, papéis em branco, desprovidos de todos os caracteres. Eles já vêm com um vasto estoque, que diferencia a forma como cada um vai absorver o conhecimento adquirido ao longo do curso. No entanto, infelizmente, também não nascemos com idéias inatas, como defendiam Platão e Descarte.

  Nosso arsenal de conhecimento para a faculdade é adquirido durante o Ensino Básico e o Médio, que, como todos sabem, andam precários, sobretudo na rede pública. Assim, ao ingressar no Ensino Superior, o estudante acaba por ter problemas sérios de assimilação de conteúdos mais específicos. Tanto o Governo Federal está ciente disso que o MEC já incluiu a proposta de um Ciclo Básico na agenda da Reforma Universitária.

  O ministro Tarso Genro defende que, durante os dois primeiros anos do curso universitário, sejam ministradas disciplinas mais genéricas. Seria muito louvável se esta medida apontasse apenas para a necessidade de uma formação mais geral, oferecendo um leque mais amplo de oportunidades ocupacionais e uma formação mais humanista. No entanto, se for aprovado, o Ciclo Básico nada mais será do que uma espécie de recuperação nas disciplinas que deveriam ter sido aprendidas durante o Ensino Médio, como Matemática e Português.

  Ao invés de ficar criticando as faculdades particulares, que muito têm feito para melhorar a qualidade e democratizar a Educação Superior no País, o Governo deveria olhar para o próprio umbigo, aumentando os investimentos matérias e humanos, para a formação de uma escola pública de qualidade.


O triunfo da língua inglesa

Humberto França
ESCRITOR

Cresce o número de pessoas que dominam o idioma universal do nosso tempo, o inglês. Em países como a China, mais de 250 milhões de jovens estão aprendendo a língua inglesa. No Japão, Malásia, Singapura, Coréia, Taiwan e em outros países asiáticos a população anglo-falante é das mais expressivas. Nas Filipinas e nas antigas possessões britânicas da África, o inglês é uma das línguas oficiais, assim como no Paquistão e na Índia onde milhões de pessoas estudam e falam a língua inglesa. No caso da Índia é interessante notar que os britânicos, no tempo da colonização daquele país, tiveram o cuidado de abrir suas prestigiadas universidades para a elite indiana.

  Nos países do Oriente Médio e na Ásia Central é grande o esforço para formar jovens no conhecimento de pelo menos uma língua estrangeira, a inglesa. No Irã, debalde as confrontações políticas com o Ocidente, muito se estuda o inglês.

  O ex-chanceler da Alemanha Helmut Schmidt, há alguns anos, previra a ascensão da Índia para o grupo de potências mundiais, sobretudo por sua política de universalização do ensino do idioma inglês. Acreditava que a Índia se sobreporia à China, em virtude dessa vantagem. É verdade que isso não aconteceu, mas, a Índia tornou-se um dos líderes de maior prestígio na produção de software. Possui uma elite anglo-falante e tem respeitáveis universidades que produzem pesquisas na área de hipertecnologia, assim como no campo das matemáticas. Certamente, o progresso daquele país no domínio da informática será um adicional para alçá-lo como um dos grandes competidores no século XXI. Aliar o avanço das ciências físicas, matemáticas e informática ao domínio do inglês é um diferencial irrenunciável para se atingir o melhor desenvolvimento tecnológico possível no mundo atual.

  Na Rússia, onde tradicionalmente se cultiva o estudo de línguas estrangeiras e na União Européia, principalmente nos países do Norte da Europa, o Inglês é a segunda língua falada pelos jovens.

  Ter acesso ao mundo dos negócios e aos estudos científicos pelo domínio dalíngua inglesa é uma vantagem incomparável para os países que têm apresentado os melhores índices de desenvolvimento nos últimos cinqüenta anos. A competição e a necessidade do inter-relacionamento em termos de negócios e das ciências têm obrigado aqueles países a realizarem um enorme esforço para anglicizar a sua população estudantil.

  No Brasil, lamentavelmente somos um país de monoglotas. Pouquíssimas pessoas falam uma segunda língua. Estudantes de cursos superiores, de mestrados e doutorados não possuem conhecimento de línguas. Uma parcela surpreendente de professores, muito deles de universidades, desconhecem a língua franca mundial. Desdenham o idioma de Milton. Tropeçam em sua leitura. Aceitam-se alunos em concursos de pós-graduação, sem o devido rigor na avaliação dos conhecimentos de línguas estrangeiras. Formandos do Curso de Letras saem das faculdades precariamente treinados para o ensino de idiomas.

  É verdade que houve algum progresso nas últimas décadas. No entanto, o acesso ao aprendizado deidiomas tem sido restrito a estudantes que podem pagar cursos particulares. A escola pública não consegue manter professores habilitados e interessados em formar estudantes bilíngües. Os alunos terminam o segundo grau desconhecendo as línguas estrangeiras.

  Recentemente tem havido uma oferta de cursos do idioma espanhol. Há quem veja nisso mais uma esperteza de muito aluno preguiçoso e de professores desinteressados, posto que se supõe que a língua castelhana seja mais fácil e portanto ao gosto daqueles que fogem ao exercício responsável do aprendizado.

    Se o Brasil estiver levando a sério seu projeto para ser uma potência líder de uma região do Globo e avançar no domínios das Ciências, precisa mudar urgentemente seu programa de ensino de idiomas e de imediato, tornar obrigatório o ensino do inglês desde a escola maternal, para que se possa, com rigor, formar brasileiros capazes de interagir no mundo de grandes competidores onde as decisões requerem um conhecimento aceitável da língua inglesa.

e-mail:umbertopimentel@bol.com.br

Clique aqui e leia os Comentários

 

 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2003 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com