Prometida pela Caixa Econômica Federal (CEF) para este mês, a linha de apoio à produção imobiliária, lançada ontem pelo presidente da instituição, Jorge Mattoso, só estará disponível nas agências a partir do dia primeiro de outubro. Como era esperado pelo setor, o financiamento será fomentado com recursos do Fundo de Garantida do Tempo de Serviço (FGTS). O valor aportado este ano pelo Conselho Curador para a linha é de R$ 360 milhões. Com esse montante, a Caixa espera financiar 8 mil novas unidades, no valor médio de R$ 45 mil, cada. Os construtores poderão financiar até 100% do custo da obra, em até 60 meses, com carência de 24 meses. Os juros serão de 10,16% ao ano. Em contrapartida, terão que comercializar pelo menos 30% das unidades para ter acesso aos recursos.
Embora tenha recebido o lançamento da linha com entusiasmo, o setor da construção civil do Estado tem algumas ressalvas. "Esse valor de R$ 45 mil por unidade é pequeno. Imóveis nesse preço só no Interior do Estado", comentou o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi/PE), Ricardo Serpa. Ele acredita que a expectativa de financiar 8 mil unidades nesse valor é uma estratégia do Governo para ampliar o número de imóveis construídos através da linha de apoio à produção.
Segundo Serpa, esse direcionamento não vai impedir os empresários de lançarem empreendimentos com imóveis de até R$ 80 mil, valor máximo financiado com recursos do FGTS. "Quem tem imóvel para lançar e se encaixa nos requisitos do FGTS vai correr atrás para conseguir o financiamento", adianta. A Caixa estima que há 1.100 empresas no País aguardando a linha de crédito.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon/PE), Antônio Carrilho, avalia que o empréstimo direto à produção vai favorecer o setor. "O crédito vem no momento certo. Mas essa exigência de 30% de unidades comercializadas antes da liberação do recurso repete os modelos praticados no passado", comenta. A linha de apoio à produção vai atender o comprador final que tiver renda familiar máxima de R$ 4,5 mil. Os juros cobrados aos mutuários oscilam de acordo com a sua renda, com taxas entre 6% e 10,16% ao ano e prazo de pagamento em 240 meses (20 anos).
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