Eles não são exatamente lindos, ricos ou famosos. Também não têm exatamente um fã-clube. Mesmo assim, integrantes de algumas bandas pernambucanas exercem um certo fascínio entre a fatia feminina do público. Modestos, a maioria prefere acreditar que a aproximação das garotas seja mesmo por causa do trabalho mostrado nos discos e sobre os palcos. Entretanto, há quem acredite que, além do talento, esses meninos têm como aliado um discreto charme que atrai a atenção da ala feminina.
"Prefiro achar que as garotas se aproximam por causa do som", declara um dos guitarristas da banda Superoutro que, tímido, não quis se identificar. Para ele, quase não existe tietagem no Recife. Opinião compartilhada por Rogerman, vocalista da Bonsucesso Samba Clube, e Samuel, baixista da Mombojó. "Há uma certa lenda em cima disso. Você se expõe e aí, obviamente, está mais suscetível a ser assediado", acredita Rogerman. "Não tem isso de assédio. Tem a galera que gosta do som. Nosso público é bem fiel", enfatiza Samuel. "Talvez algumas meninas se aproximem já pensando em dar em cima, mas isso eu não tenho como saber. Se bem que acho que não tem tanta assim, não".
Samuel, que transita pela profissão de músico e ator, recentemente foi visto na novela global Da Cor do Pecado. "Quando estava no Rio, rolou muito mais assédio do que aqui", revela ele, que por enquanto está solteiro.
Membro fundador da Bonsucesso, Rogerman conta que já houve uma época na qual o Recife contava com uma certa "cena groupie". Hoje em dia, a paquera está mais discreta. "Acho que tietagem faz parte de um mercado maior, mais mainstream. Particularmente, não vejo isso. O que rola mais são pessoas que chegam para comentar seu trabalho", constata ele, que namora há cinco anos.
Já o ex-Supersoniques e atual vocalista da Suvaca de Prata, Igor Gazzati, acha que exerce sobre o público uma atração que não passa muito da relação entre artista e espectador. Noivo, o músico afirma que não costuma receber cantadas, nem se considera um rapaz bonito. "Tenho um nariz enorme", afirma.
Para fazer sucesso entre as garotas não é preciso ter um look de galã de novela. De acordo com Rogerman a aparência fica em segundo plano. "Se o cara for chato, intragável, não adianta", opina. Segundo os rapazes, o fato de serem músicos também não faz lá tanta diferença na hora da paquera. "Já conheci vários músicos que têm dificuldades de ficar com alguém", declara Rogerman. "No dia do show facilita para ficar com as meninas, mas na vida normal, não", diz Samuel.
A banda de Samuel, a Mombojó, inclusive, é provavelmente a única banda recifense que conta com um fã-clube. Na Internet, um grupo de adolescentes resolveu formar o blog Mombojetes, no qual as garotas escrevem sobre os integrantes da banda e divulgam shows do grupo. "Não tenho uma relação pessoal com as mombojetes, mas elas são estão sempre nos shows", conta Samuel.
Para Rogerman, ser paquerado por garotas que curtem o som da Bonsucesso é parte de seu trabalho. "É legal, faz bem para o ego, mas meio que não leva a lugar nenhum. Émais parte do meu trabalho do que da minha vida particular. São momentos pontuados", destaca.
Para os músicos, a preocupação com o visual não é simplesmente uma questão de vaidade. Hoje, cuidar da aparência é atender uma espécie de exigência do público. "Quem paga o ingresso, está ali para se divertir, descontrair. O público quer ver o músico bem vestido, sem cara de drogado ou bêbado", acredita Rogerman, para quem manter uma relação de respeito entre artista e público é essencial.
|