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Atualizado em 29|08|2004 
Domingo | A responsável indústria da inclusão
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Domingo
A responsável indústria da inclusão


Mirela (centro) nunca enfrentou problemas de socialização graças a ajuda do aparelho auditivo e da língua de sinais (libras). Foto: Alexandre Gondim
A indústria de serviços já tomou conhecimento que, para continuar funcionando com 100% de aprovação é preciso acrescentar à sua cartela de opções produtos destinados a um público que quer e precisa de autonomia. "A Celpe, por exemplo, já está adequando sua comunicação para clientes com deficiência visual", adianta o coordenador do Centro de Estudos Inclusivos da Universidade Federal de Pernambuco, Francisco Lima. A proposta é que a partir do próximo ano as contas de luz cheguem em braille e letras ampliadas, favorecendo os cegos e aqueles com baixa visão.

  Nos supermercados, restaurantes e farmácias essa realidade já começa a se apresentar. "Os congelados da Sadia trazem a descrição dos ingredientes na embalagem", conta o pesquisador. Na rede Macdonald's, o filho de Francisco - Matheus, de 8 anos - que é deficiente visual, sempre utiliza cardápios e embalagens de refrigerante e sanduíches em braille. A pizzaria Flor do Jucá, o Plim Restaurante e o Steffano (esses dois últimos no Shopping Recife) são outrosendereços que investem na máxima da inclusão social.

  O ramo da beleza e no farmacêutico, a Natura e o laboratório Aché foram os primeiros a construir caixinhas com pontilhado para beneficiar todos os seus consumidores. O Centro de Inclusão até já criou uma caneta de aço para perfurar papel, possibilitando a escrita em braille sem a necessidade de uma máquina por perto. No site da Universidade Federal, o professor Francisco Lima já disponibiliza um protótipo do seu verificador de acessibilidade.

  "Através de respostas em um programa de computador, saberemos se a escola de seu filho está preparada para recebê-lo. Ou se empresas e hotéis oferecem a ergonomia e a receptividade adequada aos diferentes tipos de deficiência", comenta. Entre as escolas particulares já preparadas para incluir os alunos, o presidente da Associação Pernambucana de Cegos, Manuel Aguiar, cita o Instituto Helena Lubienska, Escola Encontro e o Colégio Contato.

  Em unidades estaduais de ensino, como a Escola Rochel de Medeiros, no complexo IEP, atende aos surdos, enquanto a Barbosa Lima, na Agamenon Magalhães, se dedica a alfabetizar cegos. Crianças com vários graus de deficiência mental, psicóticos e autistas podem freqüentar a Escola Ulisses Pernambucano, na Boa Vista, e o Centro de Reabilitação e Educação Especial (CREE), em Casa Amarela. No município, a concepção é de educação inclusiva. Ou seja, a princípio, todas estão aptos a receber alunos.
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