SÃO PAULO - A Polícia Civil confirmou ontem, oficialmente, que o inquérito que investiga os ataques a moradores de rua no centro de São Paulo, que resultaram na morte de seis pessoas, tem indícios de que os agressores possam ser homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A informação foi dada pelo delegado-geral adjunto Luiz Carlos dos Santos que, interinamente, ocupa o mais alto cargo da Polícia Civil.
"Uma coisa vou afirmar: ninguém iria investigar esse ramo (a GCM) se não tivesse alguns indícios", disse. A fala de Santos foi uma reação às críticas feitas pelo secretário municipal de Segurança Urbana, Benedito Mariano. Mariano afirma que os depoimentos estão sendo induzidos para direcionar as investigações para a GCM.
Pela manhã, Mariano oficializou o pedido, recebido pelo ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), para que a Polícia Federal participe das investigações. Antes de receber o ofício, o ministro afirmou que iria analisá-lo e encaminhá-lo para a PF "ressalvando e ressaltando que como regracompete à Polícia Civil estadual a investigação desse crime".
No sábado, a Agência Folha informou que sobreviventes dos ataques indicaram a polícia, em falas e gestos, que as agressões foram praticadas por pessoas usando uniformes da guarda. Os relatos são confusos, mas foram filmados e testemunhados por funcionários da Prefeitura de São Paulo. A divulgação do fato de a GCM ter sido citada desagradou Mariano, a quem a Guarda é subordinada.
"O vazamento da informação evidencia uma situação, no mínimo, nebulosa e coloca em xeque a credibilidade da investigação", disse Mariano no domingo.
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