SÃO PAULO - Uma geladeira, um sofá, três fogões, alguns colchões, bancos, TVs e poucas mudas de roupa. Os objetos, espalhados pelo chão, eram praticamente tudo o que restou do incêndio que destruiu ontem os cerca de 250 barracos da Favela do Buraco Quente, em São Paulo. Não houve mortos nem feridos, segundo o coronel Josias, coordenador-geral da Defesa Civil. Os bombeiros e a polícia ainda não sabem a causa do incêndio, mas consideram a hipótese de ter começado com um curto-circuito numa ligação clandestina de energia.
Na opinião dos moradores, o motivo foi um vazamento de gás. "Muitas pessoas daqui estão falando que sentiram o cheiro", disse o engraxate Pedro Luiz Nascimento Neves. Apesar de estarem muito comovidos e do clima de desolação, alguns moradores reclamaram da demora da chegada dos bombeiros. "Quando eles chegaram, duas horas depois de o fogo começar, já não tinha mais ninguém lá embaixo, nem quase nada para salvar", indignou-se Clebs Vieira Rodrigues. "Eu já tinha tirado uma senhora e duas crianças, mas ainda tinha gente lá. Eu falei para eles, mas mesmo assim, eles não quiseram descer", afirmou.
O major Dutra rebateu as acusações. Afirmou que os bombeiros chegaram em 20 minutos, mas tiveram dificuldades para descer no meio dos barracos porque ainda havia muito fogo. "Estava ventando muito, o fogo se espalhou rapidamente e complicou o trabalho", completou o subtenente Luz, do Corpo de Bombeiros.
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