SÃO PAULO - O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem, em São Paulo, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de extraditar o chileno Maurício Norambuena, que seqüestrou o publicitário Washington Olivetto. De acordo com o ministro, Lula vai cumprir a decisão do STF "em termos", já que antes da extradição quer que o chileno cumpra a pena de 30 anos, a qual foi condenado.
"É uma decisão do Supremo, é uma decisão que não se discute. Embora ela tenha que ser cumprida, tem que ser cumprida em termos. O presidente não pretende extraditar e essa é a palavra oficial do Governo. Não pretende extraditá-lo antes que ele cumpra a pena aqui. Ele foi condenado a uma pena aqui, se não me engano de 30 anos. Então, ele vai cumprir a pena aqui e depois vai ser extraditado", afirmou o ministro.
Arbítrio - Segundo Márcio Thomaz Bastos, a decisão de Lula se baseia no arbítrio que o próprio Supremo concede ao presidente. "O presidente respeita a decisão do Supremo, mas a decisão do Supremo entrega ao presidente o arbítrio para fazer antes ou depois. O presidente pode, como exceção, antes de terminar a pena, extraditar. Ele não pretende. Conversei com ele expressamente ainda na sexta-feira e ele pretende só extraditar depois de cumprida a pena aqui no Brasil. Não há o menor risco do presidente extraditá-lo antes dele ter cumprido a pena aqui no Brasil", garantiu o ministro da Justiça.
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