RIO - O Hotel Saint Peter, em Brasília, do ex-deputado Sérgio Naya, foi arrematado ontem por R$ 7 milhões pela Associação de Vítimas do Palace 2. No mesmo leilão, o Banco do Brasil deu o maior lance - R$ 25,2 milhões - por um terreno na Barra da Tijuca, no Rio. Mas a Justiça pode anular o pregão: a quantia oferecida pela associação está muito abaixo do valor de avaliação, R$ 42 milhões, e o BB pode tentar descontar o lance dado de uma antiga dívida de Sérgio Naya. "Isso é compensação e eu não vou aceitar", avisou o juiz da 4ª Vara Empresarial, Antônio Carlos Torres.
O pregão marcou uma nova estratégia da associação, interferir para aumentar o valor de venda dos imóveis. "Não temos dinheiro, mas temos crédito", afirmou o advogado das vítimas, Nélio Andrade, informando ainda que tentará revender o hotel. O juiz Antônio Carlos Torres disse que vai apreciar o caso e encaminhará o processo para o Ministério Público dar seu parecer. Ele ressaltou que havendo a impugnação do valor, o hotel terá que ir a novo leilão.
Representado por três advogados, o banco alega que Sérgio Naya deu o terreno como garantia de um empréstimo em agosto de 1987. A dívida foi executada em outubro de 1989. O leiloeiro Acir Costa informou que Naya tomou empréstimo de US$ 4 milhões e a dívida atualizada chegaria a R$ 268 milhões. A intenção do banco era descontar dessa dívida o lance dado no leilão. Mas isso não interessa aos ex-moradores, pois eles continuariam sem receber suas indenizações. O banco tem que pagar hoje 25% do valor do lance.
"É a segunda vez que a União se posiciona contra nós. Primeiro foi a Fazenda Nacional, que tentou receber o dinheiro arrecadado na venda do Hotel Saint Paul e nos fez passar por todo aquele calvário, em que tivemos até de dormir numa agência do Banco do Brasil. Agora é o próprio banco", reclamou a presidente da Associação de Vítimas do Palace 2, Rauliete Barbosa.
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