Há sete anos, surgiu no Recife um festival que viria a dar suporte a toda produção musical recente, do Recife e Olinda. Seu produtor, Geraldinho Cavalcante, trazia na bagagem a experiência com o Abril Pro Rock, onde havia feito parceria com o idealizador, Paulo André Pires, por três anos. Ele que sempre comandou os festivais de surfe no Estado, lançou no Recife, em 1998, o primeiro PE no Rock. A primeira edição aconteceu no extinto Circo Maluco Beleza. O festival havia sido pensado para funcionar naquele espaço, que por tantas outras vezes foi palco da diversidade estilística que começava a surgir na cidade, como o próprio Abril Pro Rock, num dos seus primeiros anos. Depois que o Maluco Beleza fechou, o PE no Rock transformou-se em um festival itinerante, acontecendo em espaços bem diferentes um dos outros. Este ano, vai ocupar o espaço Ancoradouro, no Cais de Santa Rita, nos dias 24 e 25 de setembro.
A programação do PE no Rock foi divulgada na última sexta-feira, numa coletiva para Imprensa, com a presença do produtor Geraldinho Cavalcante e do cantor e compositor do Mundo Livre S/A, Fred 04. O PE no Rock, num lance até histórico para os festivais de um modo geral, irá homenagear a banda, que está completando 20 anos de estrada neste ano. O show do Mundo Livre irá coincidir com o lançamento de uma caixa comemorativa ao aniversário da banda, com lançamento da Deck Disc. Virá com os quatros primeiros CDs do grupo e ainda um DVD com 10 videoclipes e um democlipe da banda. Segundo Fred, o show será então de lançamento da caixa e também uma espécie de comemoração, com diversas participações. Entre elas, B. Negão (Planet Hemp), Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) e Canibal (Devotos).
"É uma caixa que resume um período específico da indústria fonográfica no Brasil, quando uma banda ainda tinha que sair do Estado para gravar um disco", diz Fred, citando uma das principais mudanças do cenário musical local, desde que o Mundo Livre começou sua história. Tendo permanecido dentro de sua proposta de navegar contra a informação, contra os esquemas oficiais e a cultura de massa, a participação do Mundo Livre S/A na noite de estréia do PE no Rock significará muito mais que casa cheia. É uma também uma forma de injetar ânimo e mostrar para as demais bandas escaladas que existem, cada vez mais, opções paralelas dentro da indústria fonográfica e do entretenimento.
Se estiverem em sintonia com a proposta do Mundo Livre e com o notável progresso do grupo, em poucos anos poderemos saber mais sobre o som das bandas Pressão Sanguínea, Nós, Santorrif, Azougue, Kaia na Real e Dr. Dedo Verde, todas elas atrações da sexta, dia 24, no festival. Com exceção do Kaia (reggae), as demais são até agora desconhecidas do grande público, inclusive da Imprensa presente da coletiva de lançamento. No segundo e último dia do PE no Rock, vitrine para os representantes da cena heavy metal e hard core, como Gerimum e Seus Maxixes, Sickness, Physalia, The Playboys, Fuser, Terra Prima, Nitrominos, Diluvian, Os Cachorros (esses com cadeira cativa no festival), Sociedade HC e DFC, esta última, top de linha do punk hard core do Distrito Federal.
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