Os meios massivos de divulgação geralmente ignoram a existência de um núcleo de bom tamanho de empresas nacionais brasileiras que se transformaram em multinacionais, e multinacionais competitivas na área em que atuam. Para grande parte da população brasileira, multinacional é uma empresa estrangeira muito poderosa com sede, geralmente, num dos países ricos do planeta que resolveu instalar-se no Brasil, para aqui explorar algum atrativo segmento de mercado. Elas teriam sido feitas para engolir sobretudo empresas congêneres de capital nacional, praticando toda sorte de manobras que vão do dumping à pura e simples absorção de concorrentes débeis. Mas já temos cá as nossas genuínas empresas multinacionais a atuar com desembaraço nos mais diversos países e mercados do mundo.
As multinacionais brasileiras chegam perto de meia centena. Elas em nada inovam quanto ao ímpeto com que agem no Exterior, sendo de assinalar a agressividade com que atuam nos mercados mais distantes. Siderúrgica brasileira chegou a adquirir siderúrgica norte-americana em território ianque, e de lá mesmo influencia o mercado do aço. Hoje, obra de 45% do faturamento da empresa é faturamento no estrangeiro. Empresa multinacional do setor aeronáutico conta, hoje, o apreciável contingente de 13,5 mil empregados no Exterior, entre técnicos de alta capacitação e simples operários. No momento,, instala, na cidade norte-americana de Jacksonville, uma fábrica de aviões a jato com que possa atender encomenda das Forças Armadas do colosso do norte. Já fabrica aviões do outro lado do mundo, na China. No cimento, estamos a atuar vigorosamente na Bolívia, Canadá e Estados Unidos. No campo dos perfumes e cosméticos, a nossa pertinente multinacional manda as cartas na Argentina, Peru e Chile. O consórcio brasileiro da cerveja instalou fábricas em número ainda mais crescido de países: Equador, Guatemala, Peru, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia. Uma multinacional brasileira do ramo alimentício obteve 45% do respectivo faturamento no Exterior, isto no passado exercício de 2003. E a mais poderosa das nossas empresas nacionais, atuante na prospecção do petróleo e produção dos seus derivados, fincou o pé em Angola, Argentina, Bolívia e Colômbia, sem esquecer os Estados Unidos, a Nigéria, o Equador e a Venezuela. Desse Exterior, extrai nada menos que 19% do faturamento anual.
Diz-se com razão que o porte dessas empresas "ultrapassou, de fato, o âmbito do mercado interno". Elas vão atrás dos melhores nichos possíveis de um mercado globalizado cada vez mais concorrencial e duro, mas é daí que obtém produzir a custos não raro mais baixos que os praticados no Brasil. Não é só baixo custo. As multinacionais brasileiras disputam obter, no estrangeiro, tecnologias a cada passo mais sofisticadas. elas em parte percorreram cada qual a sua via crucis, elas fizeram a sua viagem a Canossa, perderam dinheiro para depois ganhá-lo em profusão como qualquer multinacional estrangeira, cujos métodos de administração e produção copiam, quando podem. Primeiro, exportaram, depois, instalaram lá fora representações comerciais, para, no último estágio de evolução, construírem em solo estrangeiro as suas fábricas.
Nem isto é o fim da picada, nem é a salvação da economia nacional. É, tão só e simplesmente, a extrapolação das forças econômicas que se foram formando no contexto de uma economia, cujo potencial de crescimento é reconhecido em todas as esferas que lidam com a matéria.
Já temos cá as nossas genuínas empresas multinacionais a atuar com desembaraço nos mais diversos países e mercados do Mundo
Frases
O Ministério foi montado para não funcionar. Mando em minha casa, onde tenho sempre a última palavra. Lamento não mandar no Ministério. Alfredo do Nascimento, ministro dos Transportes, referindo-se aos problemas que envolvem a sua pasta
É uma desumanidade, uma covardia e uma crueldade muito grande. Não está havendo vigilância da polícia. Dom Cláudio Hummes, cardeal-arcebispo de São Paulo, sobre os crimes contra moradores de rua ocorridos na capital paulista
A eleição nos EUA influenciou o Departamento de Comércio. O Governo brasileiro deve adotar uma estratégia capaz de reverter o antidumping. Mário Mugnaini, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão, sobre a auditoria norte-americana nas empresas brasileiras do ramo
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