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| Especial Olimpíadas N° 16 |
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Louco tira ouro de Vanderlei
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Maratonista brasileiro seguia em primeiro até 6km do final da prova, quando foi atacado |
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 Além do bronze, brasileiro recebeu medalha do COI por ter continuado na maratona após agressão. Foto: Elaine Thompson/AP. | ATENAS - Mais de 28 mil pessoas cantavam e dançavam nas arquibancadas de mármore do Estádio Panathinaiko, ontem, às 13h55 (de Brasília), à espera do vencedor da última e mais emblemática prova dos Jogos-2004. O telão do palco da chegada da maratona masculina mostrava o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que liderava pelos últimos 18 quilômetros e parecia ser a surpresa da noite. Puro engano. De repente, no quilômetro 36, com 1h52m43s de prova, surgiria uma outra surpresa, maior e de impacto terrível no restante da noite.
Vanderlei olharia para o lado, deparando-se com um senhor fantasiado e cheio papéis colados à vestimenta a arrastá-lo para fora da pista. O atleta logo desapareceu na calçada em meio ao público. Na verdade, o líder caíra na calçada e levaria exatos nove segundos para voltar a correr, com a ajuda de seguranças e populares, que o livraram do desequilibrado (mais tarde identificado como Cornélius Horan, um ex-padre irlandês). Vanderlei parecia atordoado e seu ritmo caiu. Ele acabaria ultrapassado, oito minutos depois, primeiro, pelo italiano Stefano Baldini; e, no minuto seguinte, pelo americano Mebrahtom Keflezighi.
 Vanderlei é agarrado por irlandês, derrubado e só consegue seguir disputa após ajuda de torcdedores. Foto: Koji Sasahara/AP. | Mas, ainda assim, foi buscar forças no espírito olímpico para ganhar uma inédita medalha de bronze que valeu como ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos. Na verdade, os seis quilômetros finais valeram como a disputa de uma outra maratona, contra ele mesmo, para vencer a desconcentração. Baldini cruzou a linha de chegada em 2h10m55s, seguido por Keflezighi, com 2h11m29s. Mas foi Vanderlei, fazendo aviãozinho enquanto dava uma volta e meia na pista do Estádio Olímpico, que mereceu aplausos de pé ao chegar em 2h12m11s (1m16s atrás do campeão). "Essa medalha vem coroar minha carreira no esporte, que me deu muitas alegrias. O máximo foi esse momento. Ofereço ao povo brasileiro, um povo sofrido. Se aquele cara não tivesse me atrapalhado, eu teria chegado melhor", disse Vanderlei, ainda na pista do estádio.
Logo, começaria a guerra de bastidores. Ainda na pista do estádio, o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, entrou com um recurso, tentando anular a prova. O Júri de Apelação divulgou um comunicado lamentando o incidente, mas decidira não alterar a classificação.
Coubertin - A caminho do Estádio Olímpico, Vanderlei ficou sabendo que ganharia duas medalhas: a de bronze, pelo terceiro lugar na maratona, durante a festa. E uma segunda, em data a ser marcada pelo COI, que transformará o brasileiro no segundo atleta na História a receber a medalha Pierre de Coubertin - dada àqueles que se destacam pelo fair play e por valores olímpicos.
No caso do corredor, é pelo fato de não ter desistido, mesmo depois de ser atacado. Somente o velejador austríaco Hubert Raudaschl tem tal honraria por ter abandonado uma regata em Seul-1988 para salvar uma pessoa que tinha caído no mar. A CBAt e o Comitê Olímpico Brasileiro vão recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), na Suíça, tentando que se dê duas medalhas de ouro: a de Baldini e outra para o brasileiro. "Eu acredito que venceria de qualquer maneira e o pegaria (Vanderlei), talvez um quilômetro depois. Eu estava correndo num ritmo 20 segundos mais rápido do que ele", disse Baldini. "Se o recurso der resultado e eu ganhar um ouro também, sem tirá-lo do Baldini, não seria má idéia", emendou o brasileiro.
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