Patricinhas mais descoladas. Simplificando, é esta a definição das Camilinhas, o novo rótulo criado para taxar aquelas meninas que, apesar de freqüentar espaços mais, digamos, alternativos, não abrem mão de estar sempre bem cuidadas e vestidas. Sob uma visão um tanto preconceituosa, as Camilinhas são pintadas como uma espécie de evolução das pattys, só que com mais "conteúdo".
A estudante Juliana Reis, 20 anos, se enquadra bem no protótipo da Camilinha perfeita. "Sei que entro no rótulo e odeio isso, mas não vou negar o que sou", dispara Juliana. Ela, que circula por espaços alternativos do Recife e adora clássicos da literatura estrangeira, não abre mão de estar sempre vestida com peças de suas grifes favoritas. "Adoro Herchcovitch, A Mulher do Padre e Cavalera", enumera. Comprar, inclusive, é um dos hobbies favoritos da estudante. "Eu sei que compro demais, meu amigos vivem falando isso. Acho que é meio compulsão mesmo, mas agora eu estou melhorando".
Nessa onda de taxar padrões de gosto e comportamento é preciso prestar atenção para não acabar confundindo as coisas. Se enquadrar em um rótulo não significa estar resumido àquela classificação. "Acho que o meio influencia, mas com o tempo, fui desenvolvendo meu gosto. Meus amigos seguem mais ou menos o mesmo padrão, mas isso não é porque somos Maria-vai-com as outras', é por um processo de identificação", atesta a estudante.
"Não queria ser, mas se acham que sou, eu sou", declara Ana, estudante que preferiu não se identificar. "Não concordo com o rótulo. Acho que é uma tentativa muito falha de classificar as pessoas", atesta. Para ela, ninguém deve ser resumido a um estereótipo. "Acho que isso é mais para quem classifica, do que para quem é classificado. Eu nunca vou me reconhecer sob nenhum rótulo", afirma a garota.
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