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Memórias do Carnaval nas páginas dos jornais
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Artigos e crônicas, dos séculos 19 e 20, embasam livro |
Michelle de Assumpção Da equipe do DIARIO |
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Maracatu! Não precisa ser descrito; todos nós podemos falar de experiência: o maracatu é uma coisa infama, estúpida e triste! Estamos todos de acordo, mas por que consentimos isto? Pois o povo (que é senão uma horda de escravos vadios, que faz o maracatu) não pode divertir-se pelo Carnaval de um modo menos estupidamente infame e triste, e degradante e incômodo". Esta era uma das visões da imprensa recifense no ano de 1877, quando um artigo com este teor saiu publicado no jornal A Província, durante os dias de Momo. Após pesquisar por mais de 40 jornais, entre os anos de 1822 a 1925, o pesquisador, folclorista e folião assumido Evandro Rabello lança o livro O Carnaval do Recife Pelos Olhos da Imprensa. Foram vinte anos dedicados à pesquisa, feita nas hemerotecas do Arquivo Público Estadual, Biblioteca Pública, Fundação Joaquim Nabuco e Associação Comercial.
Foram coletadas artigos, crônicas jornalistas, anúncios, entre outros tipos de publicações sobre as manifestações carnavalescas do Recife no século 19 einício do século 20. O material - anotado em 29 livros manuscritos - ficou vinte anos guardado até a sua publicação graças a uma parceria de Rabello com a Publikimagem Comunicação. Foram selecionados, de tudo que foi retirado da mídia, os fatos considerados mais pitorescos.
A seleção, diante da má conservação do acervo de jornais antigos, torna-se importante não só pelo aspecto documental mas ainda para que se tenha uma maior dimensão da importância que determinados folguedos adquiriram com o passar dos anos, a exemplo do próprio maracatu, que sofria e muito o preconceito de grande parte da sociedade, e hoje é um dos maiores símbolos da cultura do Estado.
O livro está dividido em três capítulos e diversos sub-capítulos. Eles mostram ainda a evolução do pensamento com relação ao Carnaval. O capítulo Com O Entrudo há a Civilização apresenta vários trechos de reportagens da época que condenavam essa prática introduzida pelos Portugueses e a sua substituição, nos anos 50, por um Carnaval de inspiração francesa e italiana.
Segundo apurou o autor, ao longo do século XIX, jornalistas comemoravam o fim de um entrudo que nunca acabava (e que permanece de certa forma até hoje, na forma de pistolas de água). Apesar das considerações de Rabello, que intermediam os artigos resgatados dos jornais antigos, enriquecendo a publicação, a maior parte do livro se faz mesmo de forma mais objetiva, numa seqüência de datas de publicação, seguidas das informações, muitas vezes curiosas e engraçadas, extraídas dos periódicos da época.
Serviço
Lançamento do Livro Memórias da Folia - O Carnaval do Recife Pelos Olhos da Imprensa
Quando: hoje, a partir das 19h
Onde: Café Burle Marx (Praça de Casa Forte, 611, Casa Forte)
Entrada franca.
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