Mais amadurecido e consolidando a proposta de avançar na qualidade da programação, o 9º Festival de Dança do Recife, que começa na próxima quarta-feira, irá movimentar cinco teatros municipais e três espaços públicos do Recife. O festival tem tudo para ir além de uma maratona coreográfica. Com convidados locais e nacionais, alguns de projeção internacional, o evento consegue trazer ao Recife espetáculos recentes de grandes companhias, a preços populares. A curadoria dos espetáculos ficou sob a responsabilidade de Luís Reis, José Manoel e Arnaldo Siqueira.
"Fizemos a opção pela boa dança. Uma das marcas disso é a presença de quatro companhias da cidade com espetáculos inteiros", destaca Adriana Faria, coordenadora geral do festival. Ela se refere aos grupos Compassos, Grial, Vias da Dança e Experimental, esta última estreando um novo trabalho, Postais do Recife. Para João Roberto Peixe, secretário municipal de Cultura, a melhor definição do perfil do festival é fundamental para a renovação de público e paraaguçar a sensibilidade dos espectadores.
Além dos pernambucanos, o evento vale a pena pela participação de grupos como a Quasar Cia de Dança, de Goiás, com a apresentação de sua mais nova cria, Empresta-me teus Olhos, na noite de abertura. O Cena 11, de Santa Catarina, considera a mais antenada das companhias contemporâneas, é inédito por aqui. O DeAnima Ballet, do Rio de Janeiro, é outra atração aguardada. Eles mostram duas coreografias de William Forsythe, do Balé de Frankfurt, sob a perspectiva de desconstrução da dança.
A performer Vera Mantero, de Portugal, é a única atração de outro País. Considerada uma das principais representantes da chamada nova dança portuguesa, Vera, que é ex-bailarina do Balé Gulbenkian, fará o solo Olympia. Neste sentido da experimentação com o próprio corpo, promete dividir opiniões a instalação/performance O Banho, com Marta Soares.
Ela é uma das artistas que integrou o programa Rumos Dança, do Itaú Cultural, em março deste ano. Além de Marta, estiveram no Rumos e também estão na agenda do festival Ângelo Madureira, o Peu, e Ana Catarina Vieira, com Somtir, que dá uma nova roupagem à dança popular e O Samba do Crioulo Doido, com Luiz de Abreu, do Rio de Janeiro, numa crítica de arrepiar à visão estereotipada que se tem do Brasil no exterior. E mais dois vídeos: Transobjeto e Ajuntamento. Para avaliar o festival, foi convidado o crítico de dança Roberto Pereira.
Homenagem - Este ano, o evento homenageia a coreógrafa e professora Mônica Japiassú. Nascida em São Paulo, Mônica mora em Pernambuco há mais de três décadas e sempre esteve em contato com a dança e o corpo, já que atualmente dá aulas de Pilates. "Para fazer coreografias é preciso duas coisas: talento e conhecimento técnico e cultural. A dança exprime o momento histórico em que vivemos e evidentemente ter talento ajuda bastante", defende Mônica, que ganha mostra de fotografias no Santa Isabel, organizada pelo RecorDança.
Serviço
9º Festival de Dança do Recife
Onde: Teatros de Santa Isabel, do Parque, Hermilo Borba Filho e Barreto Júnior. Pátios do Carmo, de São Pedro e Praça do Arsenal
Quando: De 1 a 5 de setembro
Quanto: R$ 1,00 (teatros Parque e Barreto Jr) e R$ 5,00 (Santa Isabel, Apolo e Hermilo)
Informações: 3224.1114/ 3424.5429
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