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Edição de Sábado, 28 de Agosto de 2004 
Viver | Engenheiros reatam com os fãs
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VIVER
Engenheiros reatam com os fãs
ACÚSTICO MTV
Fred Figueiroa
Enviado especial
SÃO PAULO - "Seria mais fácil fazer como todo mundo faz/ Caminho mais curto / Produto que rende mais/ Mas nós dançamos no silêncio/Choramos no carnaval/ e não vemos graça nas gracinhas da TV". Quem ouve os versos da nova música dos Engenheiros do Hawaii (Outras Freqüências), apresentada semana passada durante as gravações do Acústico MTV, em São Paulo, poderia até imaginar que a banda gaúcha - com 20 anos de estrada - estaria disposta a romper as barreiras do formato desplugado consagrado pela geração MTV e que virou sinônimo de sucesso comercial - tornando-se justamente o "caminho mais curto", "o produto que rende mais" para a turma do pop nacional.

  A MTV vem mantendo a média de três lançamentos de acústicos por ano. O dos Engenheiros do Hawaii (que só será lançado em novembro) foi o terceiro deste ano - antes foram produzidos o do Ira! e o de Marcelo D2, gravado em junho e que deve chegar às lojas no mês que vem. Para a banda de Humberto Gessinger, que vinha adotando uma postura quase outsider nos últimos anos, o Acústico MTV surge como uma chance de recuperar parte dos fãs perdidos pela estrada e, quem sabe até, aproximar o grupo do público mais jovem.

  O mais irônico é que o início das crises dos Engenheiros do Hawaii foi justamente quando, em 1993, eles decidiram deixar as guitarras de lado e gravar um álbum acústico, bem antes da MTV tornar o formato uma fórmula certeira para o sucesso. A tendência do mercado então era oposta e a ousadia dos gaúchos em gravar um disco sem guitarras, quase sem hits, e com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira acabou não sendo muito bem recebida.

O novo acústico da banda celebra a homogeneidade do seu repertório, com uma seleção que cobre todo o trabalho lançado nas duas últimas décadas. Músicas compostas em 1986 - como Terra de Gigantes ou Infinita Highway - dividem espaço com sucessos recentes como Até o fim ou Eu que não amo você. Nos dois dias de gravações realizadas no estúdio Locall, na Vila Leopoldina, em São Paulo, Gessinger se dividiu entre oviolão, a gaita, o piano e o bandolim, acompanhado por cinco músicos (os da formação que gravou os três últimos CDs e mais Fernando Aranha, no violão, e Humberto Barros, nos teclados).

  Em quatro músicas (Dom Quixote, Vida Real, Surfando Karmas e DNA e ainda na inédita Outras Freqüências) a banda é acompanhada por um quarteto de cordas, no set que funciona como clímax do show. Como é tradicional nos acústicos da MTV, também há convidados especiais: na música Pose, Gessinger divide os vocais com a filha Clara, de 13 anos (coincidência ou não, Marcelo D2 havia feito o mesmo com o seu filho quando gravou seu acústico); e em Depois de Nós, une-se ao ex-baterista e fundador do grupo, Carlos Maltz. 

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