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Edição de Sábado, 28 de Agosto de 2004 
Viver | Mais do que um bom policial
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VIVER
Mais do que um bom policial
CINEMA
Luciana Veras
Da equipe do DIARIO
Dizem que o estilo de Michael Mann é seu carma. Exagerado, obcecado por closes, uma fotografia detalhista; numa palavra só, afetado. Porém, mesmo os que analisam a obra de Mann por esse viés hão de reconhecer que ele merece elogios justo por criar e manter um estilo trabalhando para os grandes estúdios e dentro da engrenagem mainstream do cinemão americano. Colateral (Collateral, EUA, 2004) é um filme "grande", claro, por ostentar Tom Cruise no elenco, mas também um filme de "autor", por carregar a assinatura e todas as marcas do diretor de Ali, Fogo Contra Fogo e O Informante.

  O mote de Colateral é a oposição de dois homens: o motorista de táxi Max, interpretado com vigor por Jamie Foxx (revelado por Oliver Stone em Um Domingo Qualquer), e seu passageiro Vincent (Tom Cruise, super cool). Vincent está em Los Angeles para fechar um negócio; Max prefere guiar à noite por causa do tráfego leve e, apesar de estar há 12 anos no volante, jura, em especial para si mesmo, que esse emprego é temporário. Para Vincent, que não demora a se revelar um matador profissional, contratado para eliminar umas figuras ligadas a um caso investigado por Fanning (Mark Ruffalo, de Em Carne Viva), a vida é o agora; para Max, é o vislumbre do que deveria ser.

  As situações desdobradas na narrativa evocam a estrutura do filme policial clássico: há perseguições, tiras em busca de provas, o tráfico de drogas, chefões poderosos. Há, também, um componente estético: a Los Angeles de madrugada, sempre escura, com suas ruas largas e quase vazias, uma vasta cidade representada de modo distinto de suas imagens mais conhecidas - Beverly Hills, Sunset Boulevard e o letreiro de Hollywood passam longe.

  Colateral, contudo, é mais do que policial. Michael Mann usa seu estilo em prol do antagonismo dos dois protagonistas e obtém, de fato, um filme visualmente atraente e de conteúdo interessante, com enquadramentos bem pensados, uma montagem bem dosada e diálogos bem escritos. Acima de tudo, está a interpretação de Foxx, não ofuscado pela imagem poderosa de Cruise (Mann, mais capaz do Edward Zwick, torna o galã um assassino crível, mais aceitável do que o capitão de O Último Samurai), e com porte e altivez para se tornar estrela da constelação negra de Hollywood. (Luciana Veras)

Serviço

Colateral (Collateral, EUA, 2004). D: Michael Mann. Tom Cruise, Jamie Foxx. 16 anos.

Onde e quando: Hoje, no Boa Vista 5, Recife 3 e 10, Tacaruna 2 e 3 e Rosa e Silva 3 (ver horários no roteiro).

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