MOSCOU - Autoridades russas declararam ontem que um "ato terrorista" causou a queda de um dos dois aviões que caíram quase simultaneamente na Rússia no fim da noite de terça-feira. A declaração foi feita depois de peritos terem encontrado vestígios de explosivo utilizado em ataques que no passado foram atribuídos a rebeldes chechenos. Enquanto isso, uma página na internet ligada a militantes islâmicos dizia que as duas quedas que deixaram 90 mortos eram uma retaliação à guerra promovida pela Rússia na Chechênia. O grupo Brigadas Islambouli alertou que os atentados seriam apenas os primeiros de uma série de ações previamente planejadas. Não foi possível averiguar imediatamente a autenticidade da reivindicação, mas um grupo com o mesmo nome assumiu recentemente a responsabilidade por um atentado no Paquistão.
Na declaração, o grupo alega ter colocado cinco mujahedin dentro de cada avião. Paul Duffy, um especialista em aviação estabelecido em Moscou, diz ser difícil acreditar que havia cinco militantes em cadaaeronave, mas "não há dúvida de que havia pelo menos um em cada avião". Autoridades russas anunciaram ainda que estão investigando o passado de duas passageiras com sobrenomes de origem chechena que reservaram passagens de última hora nos vôos e eram as únicas vítimas cujos familiares não entraram em contato com as autoridades.
A primeira confirmação oficial de que "terroristas" infiltrados na indústria de aviação civil da Rússia - setor de transporte essencial nesse país de vastas dimensões territoriais - seriam os responsáveis pelas quedas gerou pouca surpresa. Apesar da confirmação, as autoridades evitaram medidas drásticas como fechamento do espaço aéreo ou pouso imediato dos aviões no ar.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não fez nenhum comentário público sobre a descoberta de vestígios de explosivos. As autoridades russas também mantiveram-se em silêncio sobre quem elas pensam que promoveu os atentados, promovidos poucos dias antes das eleições presidenciais patrocinadas pelo Kremlin na Chechênia e em meio a alertas de que os rebeldes tentariam colocar em descrédito o que muitos analistas consideram uma votação amplamente manipulada.
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