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Edição de Sábado, 28 de Agosto de 2004 
Especial | Renato Maurício Prado
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Especial Olimpíadas nº14
Renato Maurício Prado
Do inferno ao paraíso
O cenário era o mesmo, o tema principal idêntico, mas o enredo foi o oposto. Na véspera, com a seleção feminina disputando a semifinal, contra a Rússia, o Brasil viveu um autêntico pesadelo, entregando um jogo ganho. Ontem, com a equipe masculina, jogando o direito de ir à final olímpica, contra os EUA, o que se viu foi um autêntico show do vôlei brasileiro, com uma atuação avassaladora e impecável na indiscutível vitória por 3 sets a 0.

  Foi, sem dúvida, a melhor exibição do supertime de Bernardinho aqui em Atenas. Consistente durante toda a partida, o Brasil não deu nenhuma chance aos americanos - para quem tinham sofrido a única derrota nos Jogos, numa partida em que, claramente, não se esforçara muito pela vitória (jogou com vários reservas).

  Desta vez foi bem diferente. Embora houvesse na torcida brasileira - que compareceu em bom número ao Ginásio Paz e Amizade - um certo clima de apreensão, por causa do desastre das meninas, na véspera, desta vez nem deu para ter medo.

  O Brasil comandou o placardurante quase o tempo todo e os três sets duraram menos de trinta minutos cada - a partida se estendeu por apenas 1h17m.

  Melhor do que a vitória, porém, foram a consistência e o volume de jogo demonstrados pelos pupilos de Bernardinho.

  Graças a uma atuação simplesmente impecável do levantador Ricardinho, os cortadores brasileiros puderam demonstrar todo o seu farto repertório no ataque - alternando jogadas pelo meio (no tempo), nas pontas (geralmente "chutadas", com muita rapidez) e de trás da linha de três metros (com incrível precisão e violência).

  O bloqueio e o saque também estiveram soberbos e o time deixou, em todos os que assistiram à partida, a impressão de que será muito difícil que o Brasil perca a medalha de ouro, se repetir a atuação de ontem. Mesmo com a Itália tendo feito também uma belíssima partida, na preliminar, derrotando a Rússia também por 3 sets a 0 em apenas 1h04m.

  A final olímpica tem tudo para ser um espetáculo inesquecível e coroar, com ouro, a história deste time espetacular.

Ressaca

  Será a seleção feminina capaz de se recuperar da incrível "amarelada" contra a Rússia e derrotar Cuba, conquistando, pela terceira vez consecutiva, a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos? Esta era a pergunta que todos se faziam ontem, no Ginásio Paz e Amizade. "Acho que elas vão dar a volta por cima. Em Sydney, também saímos arrasadas, depois de perder, de virada, nas semifinais, para Cuba, e conseguimos transformar toda aquela frustração em garra para ganhar a medalha de bronze. Acho que elas vão conseguir e também vão dar a volta por cima" apostava Leila. Tomara!

O maior

  Rodrigo Pessoa e sua montaria, Baloubet du Rouet, deram a volta por cima em Atenas. Depois das refugadas de Sydney, o conjunto conquista, com méritos, em Atenas, a primeira medalha individual brasileira no hipismo.

Time do pesadelo

  A medalha de lata mais merecida das Olimpíadas vai, com inteira justiça, para o "Time dos Sonhos" do basquete americano. Sofreu derrotas vergonhosas e acabou eliminado da disputa do ouro.

Renê busca salário "decente"

  Único técnico do mundo a disputar todas as grandes competições internacionais do futebol (Mundiais Sub-17 e Sub-20, Copa do Mundo e Olimpíadas), Renê Simões adoraria continuar na seleção feminina de futebol. Mas seu destino pode ser o futebol carioca. O técnico não gosta de falar no assunto, mas recebeu sondagens de um clube do Rio: "Sou um sentimental. Adoraria ficar com as meninas. Mas preciso ganhar um salário decente e não a ajuda de custo que recebi até agora", disse ele, ontem.

  Renê também tem propostas da Arábia Saudita, da China e do Marrocos. Mas voltar ao futebol carioca o seduz. Embora ele tenha más recordações de sua última passagem pelo Rio:

  "O Edmundo (presidente rubro-negro à época) disse que eu seria o presidente do Fla-Futebol e, como aquele personagem ingênuo do Jô Soares, eu acreditei...

  Das Olimpíadas, apenas um lamento:

  "A Mônica ganhou todas as bolas na cabeça. Só perdeu aquela do gol na prorrogação...

Bronze indigesto

  A seleção feminina de basquete lutou mas não foi páreo para a Austrália. Agora disputa o bronze com a Rússia. Vai ter que suar um bocado para repetir as medalhas das duas últimas Olimpíadas. Uma pedreira.

Musa oriental

  Mariana Brochado, Inge de Bruijn e outras que me perdoem. Ao menos para o meu gosto, a musa das Olimpíadas se revelou ontem no tanque de saltos ornamentais: a chinesa Guo Jinging, campeã do trampolim de 3ms, é simplesmente

DESLUMBRANTE! Autêntica miragem oriental.

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