ATENAS - Quatro anos depois das refugadas em Sydney, quando despontava como o grande favorito ao ouro e acabou eliminado, Baloubet du Rouet resgatou a fama de garanhão bom de salto.
Montado pelo cavaleiro Rodrigo Pessoa, 31, ele reagiu de modo espetacular na final do torneio individual da Olimpíada e conquistou a medalha de prata. Pela manhã, na primeira metade do concurso, o conjunto brasileiro derrubou duas barreiras e foi penalizado em oito pontos.
Chegou à prova da tarde, decisiva, empatado com outros 18 competidores e atrás de outros 11 - três deles, zerados. Bastaria um erro para possivelmente liqüidar todas as chances de pódio.
A falha não aconteceu. A dupla completou os 460m, com dez obstáculos, sem falta e dentro do tempo limite de 69 segundos. A partir daí, começou a torcida. Um a um, Pessoa viu os adversários tropeçarem. Apenas um passou ileso pelo circuito - Cian O'Connor, da Irlanda, montando Waterford Crystal, que garantiu o ouro, carregando apenas os quatro pontos perdidos da manhã.
Encerrada a bateria, a equipe do Brasil viu-se na segunda colocação, empatado com o norte-americano Chris Kappler, montando Royal Kaliber. Partiu para o desempate em um mata-mata. De novo Baloubet não decepcionou.
O conjunto largou primeiro e cometeu só uma falta, no último dos oito obstáculos, cravando o tempo de 49s42 (em caso de empate, aqui o tempo decidiria). Uma vez mais no dia, restou-lhe torcer. Kappler vinha bem na sua passagem, a seguir, quando Royal sofreu uma contusão séria. O cavalo teve de ser retirado da pista num trailler e foi levado para avaliação por veterinários.
O americano chorou por causa do acidente. Consolado pelo brasileiro, foi a pé receber o bronze. Baloubet confirmou uma máxima sobre cavalos, não de saltos, mas de velocidade: o bom corre no fim. Agora, com 15 anos de idade, o "superatleta" (na definição de Pessoa) pode caminhar para a aposentadoria de ficha limpa. Carregou o cavaleiro brasileiro na conquista de três títulos da Copa do Mundo e a três pódios olímpicos (já havia sido bronze, por equipe, em Atlanta e Sydney).
Mas Pessoa adiantou que ele deve continuar saltando até 2006. "Um cavalo como ele não tem preço. E tem cavalo aqui que vale de dois a três milhões de euros", derramou-se em elogios Nelson Pessoa, 68, pai de Rodrigo e técnico da equipe brasileira.
A ficha de inscrição de Baloubet indica que ele é belga, de raça "sela francês", filho de Galoubeta. Os proprietários são o português Diogo Coutinho e a mulher dele, Nicole Marie De Preaulx. Coutinho não foi a Atenas. Tempos atrás chegou a receber propostas por Baloubet, mas recusou todas.
As finais do torneio individual, ontem, contaram com outros dois conjuntos brasileiros. Doda/ Countdown 23 e Luciana Diniz-Knippling/Mariachi tiveram participação discreta. Ficaram, respectivamente, em 27º e 40º.
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