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Edição de Quinta-Feira, 26 de Agosto de 2004 
Viver | Cirandeira é homenageada com CD e livro
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VIVER
Cirandeira é homenageada com CD e livro
REGISTRO
Vitalina Alberta de Souza Paz não nasceu na praia do Janga, mas soube cantá-la como ninguém, antes mesmo de conhecê-la. Nascida no engenho Muçaíba, em Jaboatão dos Guararapes, foi apelidada Duda desde a infância. Aos 12 anos, por influência de um tio, chamado Manoel, compôs sua primeira ciranda, fascinada pelas imagens sugeridas pelo parente que, sambador de coco, circulava por tudo quanto era festa popular de Pernambuco. Influenciada pelas histórias do tio Manoel, Duda iria compor muitas outras cirandas. Até que o próprio gênero tivesse seu nome agregado ao dela, como uma característica adquirida com muita propriedade: a ciranda de D.Duda. Nos anos 60 e 70 tal adjetivação consagrou-se com a criação de um bar de mesmo nome, na beira-mar do Janga, para onde mudou-se tempos depois. Aos sábados D.Duda puxava a sua ciranda. Ao longo dos anos, milhares de pessoas compareceram ao ponto.

  

Estréia - D. Duda cantava para divertir os filhos, as mulheres de pescadores e os visitantes que vinham de longe. Suas composições, portanto, nunca tiveram nenhum tipo de registro. É por isso que, segundo diz, a noite de hoje vai ficar para sempre na sua memória. Por iniciativa de outra moradora da praia do Janga, a compositora e intérprete Cylene Araújo, D. Duda ganha o primeiro CD e um livro, que mistura dados biográficos com trajetória artística, e ainda depoimentos de artistas e parentes, que dão uma visão mais pessoal. O lançamento do CD Ciranda do Amor, e do livro Dona Duda - Primeira Cirandeira do Brasil acontece hoje, às 20h, no Pátio de São Pedro.

  O disco, na verdade, é apenas uma homenagem a D. Duda. É composto por cirandas de autores diversos, inclusive dela. Pode-se dizer que a oportunidade chegou tarde para a grande dama da ciranda. Há três anos, a cirandeira Duda teve um doença nas cordas vocais e hoje não canta como antes. Por isso, sua participação no disco ficou restrita a uma única faixa, um pout-pourri que canta com a ajuda de Cylene.

  O livro - escrito pela própria Cylene - é válido pelas polêmicas afirmações que faz. Entre elas, a de que a canção Quem me Deu Foi Lia não foi composta para Lia de Itamaracá. (M.A)

Serviço

Dona Duda a Primeira Cirandeira do Brasil

Onde: Pátio de São Pedro

Quando: hoje, às 20h

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