ATENAS - A seleção brasileira feminina de vôlei encara hoje as gigantes russas às 15h30 (de Brasília), no ginásio da Paz e Amizade de Faliro, pelas semifinais dos Jogos Olímpicos. Em jogo estará uma vaga na final e a possibilidade de sair de Atenas ao menos com a prata. Nos últimos seis jogos contra o Brasil, as russas venceram cinco vezes.
No Grand Prix, o time comandado pelo temperamental Nikolay Karpol não obteve lugar nas finais, mas agora, quase completo com Ekaterina Gamova (2,04m), Evgenya Artamonova (1m92), Elizaveta Tishchenko (1m90) e a versátil e habilidosa Natalia Sokolova (1m88), fez a segunda melhor campanha no grupo da morte, o B. A Rússia vem de um tranqüilo passeio sobre a Coréia do Sul, por 3 a 0, nas quartas-de-final, enquanto o Brasil venceu um torturante duelo físico e emocional com os Estados Unidos por 3 a 2.
As brasileiras nunca se iludiram com o afastamento das estrelas nos últimos dois anos. "De olimpíada ninguém gosta de ficar de fora. Na hora H, todo mundo volta", diz Virna. As feras, no entanto, estão longe de ser infalíveis. No Mundial de 2002, esperava-se muito do time russo, que ficou apenas com o bronze, depois de perder para os EUA na semifinal.
A Rússia tem um sistema de recepção e armação diferente do padrão habitual, e a levantadora Fernanda Venturini já sabe de cor e salteado como terá de trabalhar para conduzir o Brasil à vitória. Resta saber como será o aproveitamento do Brasil nos contra-ataques.
"A Rússia deixa um buraco no meio e cede também o corredor em algumas passagens. É o mesmo sistema de sempre, o Karpol não muda nunca". Se o adversário mantém o padrão, o mesmo não se pode dizer do Brasil. Karpol já identificou uma perigosa arma brasileira, que terá de neutralizar para manter a Rússia na perseguição ao seu quinto ouro - foi campeã em 68, 72, 80 e 88 como União Soviética.
"Mari é uma atacante perigosa e precisaremos marcá-la com eficiência", disse o velho estrategista. Mais do que nunca, a frieza e a potência dos ataques da Mulher de Gelo serão fundamentais. A Mari do primeiro set contra os EUA, autora de dez pontos, terá de se apresentar. Comparada a Sokolova por Fernanda e José Roberto Guimarães, devido à versatilidade, Marianne Steinbrecher acha que o jogo é bom para ela.
"Eles falam isso porque nós duas podemos atacar do meio, da entrada ou da saída de rede. E nós duas temos sangue russo", diz Mari, que descende também de alemães.
Zé Roberto está mais aliviado por finalmente ter visto seu time render em quadra, contra os Estados Unidos, o mesmo que vinha produzindo durante os treinamentos. Ele acredita mais do que nunca na vitória. "A gente precisava de um jogo como aquele", comentou.
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