ATENAS - Debaixo de um céu estrelado e no centro das atenções de uma arena lotada, os brasileiros Ricardo e Emanuel foram ontem, em Atenas, os verdadeiros deuses do Olimpo. A dupla, num jogo impecável, arrasou os espanhóis Bosma e Herrera por 2 sets a 0 (21/16 e 12/15) em 43 minutos - o tempo exato em que, na véspera, Adriana Behar e Shelda perderam o ouro - na final das Olimpíadas e conquistou o tão sonhada medalha.
Emanuel, que nunca passou de um nono lugar em dois Jogos, e Ricardo, que amargou a prata em Sydney subiram ao pódio também para fazer história no esporte, já que apenas as mulheres do Brasil, em Atlanta/96, conquistaram um ouro na praia. Muito emocionados, principalmente na hora do Hino Nacional, eles trocaram elogios, fizeram desabafos, e resumiram o momento numa só palavra: espetacular.
"Só nós sabemos o caminho que percorremos até chegar aqui. Deixamos o Brasil em maio passado, a família, os amigos, e saímos competindo em todos os campeonatos que podíamos. Chegamos em Atenas conscientes de que cada partida era um complemento para a nossa preparação, que começou há dois anos, quando colocamos na cabeça esse ideal olímpico. Todas as vezes que eu lembrar desse Jogos vou pensar numa palavra: espetacular. Eu acho que só vou me dar conta no Brasil", disse Emanuel, ainda sem acreditar no que tinha acontecido. Os dois voltam ao Brasil hoje.
Choro - Ricardo chorou como criança. Atendeu aos jornalistas com os olhos inchados e disse que não guarda mágoa alguma da derrota na final australiana para os americanos Blanton e Fonoimoana, há quatro anos. "Em Sydney eu tive o favoritismo na mão. Passei pelo oba-oba na Vila de todos dizendo que o ouro estava garantido. Trouxe para Atenas o gostinho da derrota que experimentei. Mas isso me alimentou. Trouxe de lá um aprendizado muito grande. O destino me colocou ao lado do Emanuel e agora eu entendo a razão", desabafou Ricardo, que conquistou a sua segunda medalha olímpica da carreira.
Os brasileiros já entraram na quadra com postura de campeões. Superiores,viravam as bolas com uma incrível facilidade. Os espanhóis tentaram reagir no começo do primeiro set, fugindo do bloqueio de Ricardo, mas Emanuel catava as bolas nos quatro cantos da quadra. Ricardo estava indigesto no ataque, desanimando até a torcida espanhola em pouco número no complexo de Faliro. Alguns poucos erros de saque do Brasil deixaram os adversários animados, mas logo a dupla fechou o set inicial em 21 a 16.
Uma breve conversa no banco e na volta eles pareciam mais concentrados ainda. Comemoravam pouco, mas iam abrindo vantagem. "Lembro que quando estava 17 a 10 no placar eu olhei para um lado e vi o Gustavo Borges. Depois olhei para o outro e vi toda a minha comissão técnica. Virei o rosto e percebi a torcida enlouquecida. Por fim, na arquibancada na minha frente, vi os campeões do vôlei Carlão e Paulão. Foi nessa hora que vi que nós iríamos ganhar", contou Emanuel.
A dupla fez sete jogos nas Olimpíadas e perdeu apenas três sets, contra os noruegueses Maaseide e Horem na estréia, os tambémnoruegueses Kjemperud e Hoidalen nas oitavas-de-final e passaram um aperto batendo os suíços Heuscher e Kobel nas semifinais.
Emanuel é hexacampeão do Circuito Mundial (96/97/99/2001/02/03/04) e o maior vencedor da história do campeonato com 45 títulos (17 segundos e 25 terceiros em 87 pódios). Ricardo tem uma prata em Sydney e ouro no Goodwill Games em 2001, entre outros.
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