Se a pernambucana Keila Costa ficou frustrada por não ter conseguido passar às finais do salto em distância, lá em Atenas, por aqui, no bairro de Caetés III, município de Abreu e Lima, foram seus familiares que não esconderam a decepção por não assistirem a sua prova. Todas as emissoras que transmitem as Olimpíadas não mostraram o momento do salto da atleta, apenas uma comentou a desclassificação de Keila. Na caixa de salto do Estádio Olímpico, a atleta conseguiu o tímido salto de 6m33, bem longe de sua melhor marca pessoal: 6m61. O resultado a deixou na 14ª colocação do grupo B e na 31ª posição geral. Apenas as 12 melhores saltadoras avançaram à decisão.
A sala da casa foi decorada para acomodar os amigos, parentes e vizinhos. Antes de saber se assistiria ou não aos saltos da filha em Atenas, dona Maria José, 58 anos, já declarava seu orgulho. "Já é uma vitória muito grande para mim, ela estar lá".
De Limoeiro, vieram a tia mais nova de Keila, Lindalva Maria da Silva, e mais dois primos. "Os vizinhos sóacreditaram que ela era minha sobrinha, quando ela chegou de São Paulo e foi lá me visitar. Agora, está todo mundo torcendo por ela", comentou Lindalva.
À medida que o tempo ia passando, o desânimo tomava conta da torcida. Só o pequeno Vinícius Victor Amaral (de 6 anos), vizinho de Keila, demonstrou confiança. "O Brasil vai ser o último saltar", arriscou. Mas com o passar das horas, veio a constatação e o resultado da desclassificação, por telefone. "O sentimento é mesmo de frustração. Porque independentemente do resultado dela, nós queríamos vê-la em Atenas", lamentou Daniele Costa, irmã mais velha da atleta.
A ansiedade da mãe da saltadora também se transformou em frustração. "Mesmo sem ela ter repetido a melhor marca, a gente queria vê-la saltar. Foi uma pena. Mas estou feliz porque ela conseguiu realizar o sonho", declarou dona Maria José.
Escola - A Escola Estadual Isaura de França, onde Keila começou a dar seus primeiros saltos, também fez festa para a sua ex-aluna ilustre. A comemoração incluía agitação das bandeiras do Brasil e de Pernambuco, crianças dançando frevo, apresentações de maracatus e barulho, muito barulho, por nada. Os cerca de 400 alunos que se amontoavam em frente a um telão no pátio do colégio - e gritavam de forma ensurdecedora - ficaram visivelmente tristes ao perceberem que a conterrânea não apareceria na tevê.
Problemas técnicos à parte, a emoção dos alunos do Isaura de França era de arrepiar. O que se via nos olhos deles não era apenas a torcida para uma conhecida famosa. Eles reconheciam na figura de Keila Costa a esperança de uma vida melhor e a inspiração de que com força de vontade se vai longe. Da pista de terra batida de Abreu e Lima para o Estádio Olímpico de Atenas, na Grécia. Era demais para os sonhos de qualquer um da escola.
|