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Edição de Quinta-Feira, 26 de Agosto de 2004 
Especial | Basquete enfurecido
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Especial Olimpíadas nº12
Basquete enfurecido
Técnico da Espanha mexe com os brios das brasileiras e vê na quadra seu time derrotado
O técnico da equipe espanhola feminina de basquete não sabia o que estava dizendo quando afirmou que não seria difícil derrotar o Brasil e sua fraca defesa. Sem saber, Paulo Campos agitou uma bandeirola vermelha na frente de um touro em fúria. Lutando com garra em cada disputa de bola, a seleção venceu por 67 x 63 (34 a 34) no complexo Oaka e avançou às semifinais dos Jogos Olímpicos. O próximo adversário, amanhã, será a Austrália, em jogo que vale no mínimo a prata. A partida começa às 10h45 (hora de Brasília). É a terceira vez consecutiva que o Brasil se coloca entre os quatro melhores do Mundo nos Jogos. Em 96, obteve a medalha de prata, e há quatro anos conquistou o bronze em Sydney.

  Não foi um jogo bonito de se ver, mas nem por isso faltou emoção. Foi justamente a garra defensiva o principal fator que levou Campos a queimar a língua. O Brasil apanhou um total de 43 rebotes, contra 22 de suas adversárias. A equipe acertou também na estratégia, marcando bem as laterais espanholas. A matadora Amaya Valdemoro fez apenas sete pontos, e, anulada, praticamente não jogou no segundo tempo. Dos sete arremessos de dois pontos, o destaque espanhol não converteu nenhum.

  Essa solidez no garrafão proporcionou contra-ataques e mais chances para a ala Janeth deitar e rolar no ataque. A melhor cestinha da história dos Jogos Olímpicos no basquete feminino anotou hoje 27 pontos, chegando a um total de 505 em quatro participações (92 a 2004). "Com a defesa jogando assim, a gente pode até se dar ao luxo de errar um pouco no ataque", comentou. "A Espanha estava entalada na nossa garganta, pelo o que o técnico falou e pelo Mundial, quando perdemos por uma diferença grande para elas. Acharam que a equipe delas, que nunca teve nenhum título, era superior. Falar o que falaram de um time que foi campeão mundial e tem duas medalhas olímpicas não tem nada a ver. Tiramos uma espinha da nossa garganta. A cada cesta que a gente fazia só faltava ir até o banco deles para gritar", disse a lateral Iziane.

  Segundo a mais nova revelaçãodo basquete nacional, as brasileiras evitaram cumprimentar as espanholas na Vila Olímpica depois de tomarem conhecimento das declarações de Campos. Helen Luz, que casou-se com o espanhol Octavio Lafiacolla em maio, deixou a diplomacia de lado e também criticou a atitude de Campos e suas jogadoras. "Tenho muitas amigas no time delas, mas sou 100% brasileira. O técnico foi infeliz, isso é menosprezo. Nosso time é brioso, a gente mostrou para eles que o melhor é o Brasil".

  Aliviado ao ver a equipe classificada depois do vexatório sétimo lugar no Mundial da China/2002, o técnico Antônio Carlos Barbosa afirma que as jogadoras mais inexperientes poderão entrar no ritmo agora. "A tensão passou. Temos jogadoras novas e outras que foram a Sydney mas jogaram pouco. Agora vão poder trabalhar mais tranqüilas".

  A melhor cestinha dos Jogos também aposta no bom momento brasileiro. "As Olimpíadas estão começando. É agora que está valendo", disse Janeth. Logicamente, esse raciocínio não inclui o time de Campos, que vai disputar o quinto lugar.

Masculino - A seleção dos Estados Unidos entra em quadra hoje, às 8h30 (de Brasília), carregando um fardo de 14 edições olímpicas, 13 finais e 12 medalhas de ouro no torneio masculino. Diante da Espanha, campeã do Grupo A na primeira fase, os norte-americanos, que formaram sua quarta seleção com atletas da NBA (chamados de "Dream Team"), não carregam um retrospecto positivo até o momento em Atenas.

  O time, que pode fazer história como o primeiro que deixou os criadores do basquete fora de uma semifinal olímpica, já perdeu dois jogos na Grécia: na estréia contra Porto Rico (92x72) e para a Lituânia (94x90), que acabou na liderança do Grupo B.

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