Para os que consideram a posição da dupla brasileira na classe star confortável, graças aos resultados que tem obtido e aos 19.2 pontos de vantagem sobre o barco vice-líder, Torben Grael tem uma resposta na ponta da língua. Para o campeão olímpico de Atlanta-96, ele e Marcelo Ferreira só se sentem confortáveis quando estão em casa. Dentro d'água a disputa tem sido dura. "Estamos enfrentando regatas muito sofridas, como as dessa quarta-feira", comentou Torben, lembrando que chegou a estar em 16º lugar na segunda disputa do dia, subiu para sexto, caiu novamente para 12º e terminou em sétimo.
Além disso, Torben lembra que a disputa pelo título ainda está longe de ser decidida. "Não tem nada ganho. Até o momento, estamos muito bem, mas precisamos manter o ritmo e a concentração até o final. Tivemos nesta quarta-feira (ontem) um tremendo exemplo de que as coisas não se definem antecipadamente", declarou o brasileiro, referindo-se a Ricardo Winicki, o Bimba, que entrou na última regata da classe mistral na liderança e acabou em quarto lugar na classificação geral.
Com a experiência de quem já conquistou quatro medalhas olímpicas - um ouro, uma prata e dois bronzes -, Torben explicou que ainda é cedo para adotar uma estratégia de administrar os resultados durante a regata. "Temos que tentar fazer o melhor possível. O nível das flotilhas é muito alto, não podemos bobear", explicou, acrescentando que a raia de Agios Kosmas é muito complicada. Mas a inconstância dos ventos, que tem dificultado a vida dos velejadores, acabou se tranformando em aliado dos brasileiros. Essas condições fazem com que as regatas sejam táticas, favorecendo a experiência e habilidade técnica da dupla.
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