SÃO PAULO - As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o vazamento da Operação Farol da Colina indicam que outro delegado da corporação pode estar envolvido no esquema que livrou doleiros da prisão. A identidade do policial é mantida em sigilo. Interceptações telefônicas, autorizadas judicialmente, mostram que ele teria mantido contatos com doleiros, alertando-os sobre a operação que foi deflagrada no dia 17, simultaneamente, em oito Estados - 63 foram capturados, mas pelo menos outros dez conseguiram escapar.
O suspeito trabalha na Superintendência Regional da PF em São Paulo, onde também atuava o delegado Carlos Fernando Braga, que ontem teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba, onde foi aberto o processo sobre os doleiros. Braga teria mantido contatos - nos dias que antecederam a operação -, com Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, que movimentou cerca de US$ 500 milhões em contas do J.P. Morgan Chase de NovaYork. O juiz também ordenou ontem a prisão preventiva de Barcelona.
Envolvimentos - O delegado foi preso na manhã de sábado e provocou a renúncia do chefe da PF paulista, Francisco Baltazar da Silva. A Inteligência da PF constatou que o ex-superintendente comprou dólares de Barcelona. Silva declarou a transação ao Fisco. O doleiro teria movimentado US$ 134, 6 mil para ele.
Grampos telefônicos flagraram uma mulher - parente do delegado - agendando reunião entre Braga e Barcelona na véspera da Farol da Colina. A operação teve de ser antecipada em São Paulo. Braga depôs na Corregedoria da PF. Ele admitiu a comunicação com Barcelona, mas afirmou não ter avisado o doleiro sobre a ordem de prisão. Os procuradores federais que comandam o cerco aos doleiros avaliam que o delegado, "além de mentir sobre os seus vínculos, está protegendo a identidade de terceiros".
|