SÃO PAULO - Suspeitos com nomes. Esse foi o resultado da divulgação dos retratos falados dos assassinos dos mendigos no centro de São Paulo. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) recebeu ontem informações sobre a provável identidade dos criminosos. Os dados ainda são mantidos sob sigilo, mas, pela primeira vez desde que os crimes começaram, os investigadores demonstraram esperança em esclarecer o caso. Esses nomes levam à atuação de um grupo de extermínio, cuja motivação ainda é desconhecida.
De fato, o que não faltou para os policiais foi denúncia contra possíveis envolvidos no crime - mais de 20 só ontem e 35 no total, sendo que 70% se referiam aos retratos falados. Muitas das informações não tinham consistência. Uma delas, porém, chamou a atenção dos policiais. Primeiro porque a testemunha compareceu ao DHPP para depor. Segundo porque suas informações se encaixavam com outras recolhidas durante a investigação. A identidade dessa pessoa, que apontou suspeitos, também está sendo mantidaem sigilo com base em portaria do Tribunal de Justiça.
Ao todo, os policiais do DHPP ouviram ontem os depoimentos de quatro pessoas. Duas delas são moradoras de rua que haviam sofrido agressões. Seus casos, no entanto, foram descartados pelos policiais porque não tinham relação com os ataques do centro - uma das vítimas foi assaltada e a outra envolveu-se em uma briga com um amigo, que foi identificado e detido. A terceira pessoa ouvida é outro morador de rua que acusou dois casais em duas motos - versão que pareceu ter pouca credibilidade para os investigadores do DHPP.
Vinte de seus homens estão nas ruas tentando localizar outras testemunhas e confirmar as informações recebidas nos depoimentos. Sabe-se que os agressores agiram em grupo. Eles podem ter usado uma motocicleta do tipo e um carro preto, como foi relatado por uma moradora de rua. Essa testemunha descreveu dois dos assassinos. Um deles seria um homem branco, com cerca de 25 anos, magro e com cabelos castanhos claros, cortados como o de um moicano. Ele estava em uma moto. O outro homem seria um negro, forte, olhos escuros, que tinha cerca de 30 anos e bigode. Ele estaria no banco traseiro do carro preto. O delegado afirmou ainda que os moradores de rua internados no hospitais - 10 sobreviveram aos ataques - já foram ouvidos informalmente.
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