A emoção de pisar num palco pela primeira vez está sendo experimentada por alguns dos participantes do II Festival de Teatro Estudantil de Teatro e Dança. Nos espetáculos, em sua maioria adultos, muitos protagonistas vivenciam um contato inicial com o universo teatral. Mas o festival conta também com grupos de estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e de escolas particulares, além de outros coordenados por ONGs. A maratona de interpretação termina no próximo sábado, no Teatro Apolo, depois de mostrar quase trinta peças.
"Não penso em ser uma atriz famosa. Gosto do teatro porque me divirto. Meus colegas do grupo são praticamente uma família", conta Annizabela Vieira de Lima, 19 anos, que viveu a Sinhá Ricarda, em O Capataz de Salema, escrita por Joaquim Cardozo. "Nunca me imaginei num teatro, quanto mais num palco. Me dá aquele friozinho na barriga", confessa Aislan Simões, 17 anos, que enfrentou as luzes da ribalta pela primeira vez na noite de ontem, quando participou da mesma peça.
Alunos do Centro de Trabalho e Cultura (CTC), Annizabela, Aislan e seus onze colegas são orientados por Beto Vieira, 44 anos, vinte deles dedicados ao teatro. Para ele, a importância do festival está no fato de os alunos se reconhecerem e sentirem inseridos na cultura que os cerca. "Muitos deles visitam um teatro pela primeira vez na vida. E trazem amigos e familiares que nunca freqüentaram o teatro", reflete Beto, que dirige ainda O Auto da Camisinha, de José Mapurunga, com o grupo Teatração, do Centro Retome sua Vida (em cartaz amanhã, às 18h). Com o texto dividido em sextilhas de cordel, O Auto se apropria da linguagem de uma comédia para alertar o público juvenil sobre a prevenção contra DSTs e AIDS.
Dirigindo o grupo da Escola Municipal de Arte João Pernambuco, localizada na Várzea, Fred Nascimento afirma que não se inscreve no festival em busca de premiações. "Entro pelos alunos, que se sentem motivados e vivem a experiência com muita intensidade. Alguns têm facilidade e se jogam no trabalho, é enriquecedor", assegura Fred, que lidera um grupo com idades dos 17 aos 20 e poucos anos. Os ensaios para A Casa de Bernarda Alba, clássico da obra do espanhol Federico García Lorca, que será encenada hoje, às 18h, foram intensificados em julho, contando com a preparação corporal aos cuidados de Lau Veríssimo. Durante o festival, a João Pernambuco participou ainda com Dois Perdidos numa Noite Suja. Através do Totem, grupo de teatro e performances que mantém independentemente da atuação na escola, Fred Nascimento já viu surgir talentos como o de Aracelly Silva, que montou sua própria companhia, o grupo de experimentos TABU, da UFPE, e com eles apresentou duas produções no evento.
A segunda edição do festival é uma iniciativa do produtor Pedro Portugal, com patrocínio da EMTU, através do SIC Municipal. Nesta quarta, às 20h30, também será mostrada A Descoberta do Teatro, do Grupo Escola Timbi, de Camaragibe. Na quinta, a outra peça é Folhetim, com o grupo Angels, da Escola Dom Vital, sob a batuta de Moisés Neto. Os dois últimos dias, sexta e sábado, serão direcionados apenas à dança. Os ingressos custam R$ 3,00. Informações: 3224.1114.
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