Piu-Piu, ou Gnominho, ficava num canto usando maçãs de cera como malabares. Num outro, Naomi Campbell, ou Pretinho Básico, apressava os colegas para que tudo terminasse logo: "Vambora, gente. Daqui a pouco começa o Corujão!". Rei Leão, ou Grande Buda, decorava seu texto. Não é uma festa a fantasia, mas o início de uma gravação de Sob Nova Direção. O trio masculino do programa, formado por Luiz Carlos Tourinho, Luís Miranda e Otávio Müller, é assim mesmo: adora botar apelido em todo mundo. Ingrid Guimarães (Pit) e Heloísa Périssé (Belinha), as "patroas", são as únicas que se livraram.
"Nelas nós nunca botamos", diz Tourinho. "Um dia falamos de Zezé Macedo e elas pararam de brincar", entrega Miranda. "Somos uma equipe muito unida e politicamente correta. Até respeitamos a cota negra no programa", continua Müller, referindo-se carinhosamente a Miranda.
Eles poderiam ser os Três Mosqueteiros, afinal são os fiéis escudeiros de Pit e Belinha. Mas eles preferem ser os Três Patetas. "Somos palhaços, nosso humor é clown", explicam. Os Trapalhões são sua maior influência, além dos bons tempos da Atlântida, com Oscarito e Grande Otelo. Podem reparar: até que eles se parecem com o extinto grupo liderado por Didi, não? "Miranda é o Mussum e Piu-Piu é o Zacarias", comenta Müller. "E você é o sargento Pincel", arrisca Miranda.
O trio é palhaço, mas também sabe ser sério. Em Sob Nova Direção, eles dão palpite em tudo. E botam cacos. E contam que humor é quase uma ciência matemática: tem suas técnicas e seu tempo. Não é algo que possa ser ensinado, afirmam. "Não decoramos o texto e pronto. Participamos, damos sugestões, fazemos de tudo um pouco. Somos filhos da geração do Asdrúbal Trouxe o Trombone", diz Müller.
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